PM do Rio põe mais 350 novatos na Rocinha após série de crimes

No período de 40 dias, quando ocorreram 8 homicídios, efetivo de policiais militares passa de 180 para 700 homens

ANTONIO PITA / RIO, O Estado de S.Paulo

03 Abril 2012 | 03h05

Em meio a uma onda de violência que começou há cerca de 40 dias, a Rocinha, na zona sul do Rio, vai receber mais 350 policiais militares. Com a determinação do comando de que os soldados recém-formados façam estágio na comunidade, o efetivo vai chegar a 700 até sexta-feira. A área está ocupada pelas forças de segurança desde novembro.

Em 40 dias foram registrados oito homicídios na Rocinha. Antes da sequência de crimes, 180 PMs ocupavam a favela. Nas últimas semanas, o efetivo foi aumentado para 350.

Os primeiros policiais recém-formados se apresentaram ontem. Os novos policiais chegam à Rocinha em meio a denúncias de corrupção. Segundo a Polícia Civil, traficantes oferecem R$ 200 mil na hora e mais R$ 20 mil por semana aos soldados que deixarem de patrulhar ruas de menor movimento da comunidade.

A Secretaria Estadual de Segurança confirmou as denúncias, mas não detalhou os casos, alegando que a investigação é sigilosa. Caso a denúncia seja confirmada, os policiais podem ser expulsos. A secretaria informou que não vai mudar o plano de segurança.

A PM nega que o aumento do efetivo se deva à onda de violência. Em nota, afirma que o objetivo da ocupação era a retomada do território e que "a missão foi cumprida". Segundo a corporação, a atuação dos novos oficiais na Rocinha é um treinamento para que eles possam atuar em Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs). A primeira turma de policiais deve ficar na favela até a instalação da UPP no local, ainda sem data marcada.

O reforço não renovou as expectativas de segurança de quem vive na comunidade. "São policiais despreparados, chegam com a cara assustada e segurando a arma o tempo todo. Não conhecem a realidade da favela", critica um comerciante. "Demos confiança à polícia, mas ela não correspondeu. Estamos em um vazio de comando", afirmou uma moradora.

Violência. No último domingo, Alexandre da Cunha Fernandes, de 30 anos, foi morto em uma das principais ruas da favela. O delegado Rivaldo Barbosa, titular da Delegacia de Homicídios, investiga se a vítima tinha envolvimento com o tráfico. O inquérito deve ser concluído em 30 dias. "Outros cinco casos já foram solucionados e a polícia já tem os mandados de prisão dos acusados."

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