PM do Gate sequestra e mata jornalista

Luciana foi atacada no dia 11; policial de elite atirou em civis ao fugir de flagrante

Luísa Alcalde, O Estado de S.Paulo

28 de novembro de 2010 | 00h00

O cabo do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate), da Polícia Militar, Rodrigo Domingues Medina, de 34 anos, confessou ontem à tarde ter matado por estrangulamento a jornalista Luciana Barreto Montanhana, de 29 anos. Ela havia sido sequestrada por ele no dia 11, depois de ter saído de uma academia dentro do Shopping Eldorado, na zona oeste da capital paulista. Luciana trabalhava para uma grande assessoria de Imprensa e relações públicas paulistana.

Segundo o depoimento de Medina à Polícia Civil, horas depois de ela ter sido colocada no carro do policial, um Gol, teria reagido - por isso, foi assassinada. As mãos da moça foram atadas com algemas de plástico. O cabo jogou o corpo da jornalista na Serra do Mar, na altura do km 44 da Via Anchieta. Nessa mesma noite, ele ligou para o pai da vítima pedindo R$ 500 mil.

Ele contou aos policiais da Delegacia Antissequestro (DAS) ter abordado aleatoriamente Luciana porque estaria precisando de dinheiro, mas não disse para quê e nem se estava endividado. Segundo Medina, a jornalista foi abordada dentro do estacionamento do shopping. Para o delegado Wagner Giudice, porém, a abordagem ocorreu do lado de fora, em uma das saídas do centro de compras. Giudice solicitou ao Eldorado as gravações das câmeras de monitoramento.

O Eldorado informou que colaborou com as autoridades. Pelas imagens obtidas no sistema interno, Luciana esteve sozinha no interior do empreendimento das 18h45 às 21h5.

Medina estaria armado no momento em que obrigou a vítima a entrar em seu carro. O delegado descartou que ele conhecesse a assessora de Imprensa ou que tivesse alguma informação sobre a vida financeira do noivo, um empresário bem-sucedido. "Ele disse que ela falava muito e por isso a matou", contou o delegado. O corpo foi encontrado ontem, já em estado de decomposição, o que, para Giudice, confirmaria que ela foi morta no dia do sequestro.

Ataque a civis. O policial do Gate foi descoberto depois de ter feito cinco ligações de orelhões no centro e na zona norte da capital para a família de Luciana. A DAS passou a monitorar as ligações. Na última, feita no dia 20, os policiais conseguiram localizá-lo ainda no orelhão. Como é triatleta, ele correu até onde deixara o carro, abriu e passou a atirar nos civis.

Quando entrou no carro, com a troca de tiros, foi atingido. Só então se identificou como PM. Foi então socorrido e levado ao hospital, onde ainda permanece internado. Quando receber alta, será encaminhado ao Presídio Romão Gomes. Ele vai responder por homicídio e extorsão mediante sequestro.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.