PM diz que não sai da USP e alunos prometem manter ocupação de prédio

A ocupação do prédio da diretoria da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), no câmpus do Butantã, na zona oeste, causou um impasse na Universidade de São Paulo (USP). Manifestantes prometem ficar no edifício até a proibição da entrada da Polícia Militar na Cidade Universitária. A PM afirma que só atua na USP a pedido da reitoria. E a reitoria, por sua vez, informou que caberá à diretoria da FFLCH tratar da desocupação.

O Estado de S.Paulo

29 Outubro 2011 | 03h02

Dezenas de estudantes invadiram o prédio na noite de anteontem. Segundo eles, como repúdio à ação da PM que, horas antes, abordou três alunos da Geografia com maconha. A operação causou revolta. Houve confronto, viaturas foram apedrejadas e a polícia usou spray de pimenta e bombas de gás lacrimogêneo e de efeito moral.

"Não existe território livre. A PM ocupa qualquer espaço para garantir a ordem a segurança", disse o secretário da Segurança Pública, Antonio Ferreira Pinto. Segundo o comandante-geral da PM, Alvaro Camilo, a reitoria não pediu a desocupação. "Só agiremos a pedido da reitoria ou por ordem da Justiça."

A principal reivindicação dos estudantes é a revogação do convênio assinado no mês passado entre a reitoria e a Secretaria de Estado da Segurança Pública, após a morte do aluno de Ciências Atuariais Felipe Ramos de Paiva, de 24 anos, durante tentativa de assalto em maio.

O mestrando em Engenharia Química Leandro Salvático, de 30 anos, designado como porta-voz pelos ocupantes, não quis informar quantas pessoas estavam no prédio. "Tem muitos estudantes dispostos a resistir. A entrada da PM no câmpus viola a autonomia universitária."

'Incidentes.' O reitor João Grandino Rodas informou em nota que lamenta os "incidentes" e vai levá-los para análise do Conselho Gestor, para "apresentação de propostas para o equacionamento da situação", que serão divulgadas "em data oportuna". Sua assessoria informou que a desocupação do prédio tinha de ser pedida pela FFLCH. Irritada, a diretora da unidade, Sandra Nitrini, disse que qualquer pronunciamento deve ser feito pela Assessoria de Imprensa da USP. "Minhas obrigações foram cumpridas." Por sua vez, o presidente do Conselho, José Roberto Cardoso, disse que o caso está aos cuidados da reitoria. / BRUNO PAES MANSO, CARLOS LORDELO E MARCELO GODOY

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