PM detém 13 pessoas em manifestação de metroviários na Estação Ana Rosa

Estratégia da PM foi usar um trem vazio para chegar à plataforma

Rafael Italiani, O Estado de S. Paulo

09 de junho de 2014 | 08h46

Atualizado às 21h25

SÃO PAULO - No quinto dia da paralisação, as plataformas e o entorno da Estação Ana Rosa, na zona sul, foram nesta segunda-feira, 9, palco do maior piquete dos metroviários. A Tropa de Choque da PM precisou intervir com bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo para liberar a Rua Vergueiro. 

A polícia chegou ao local em um trem exclusivo e encurralou os sindicalistas dentro da estação. Ao todo, 13 pessoas foram detidas e tiveram de assinar termos circunstanciados por “paralisação de trabalho de interesse público”. A polícia entrou em ação pouco antes das 7h, após manifestantes favoráveis aos metroviários atearem fogo em sacos de lixo para interditar a via. Motoristas ficaram no meio do tumulto.

Comerciantes do entorno tiveram de abaixar as portas. A vendedora Patricia Souza, de 18 anos, que trabalha em uma lanchonete dentro do terminal de ônibus, ficou 15 minutos deitada no chão do comércio. “Não dava para saber se era tiro de verdade ou de borracha. O cheiro de gás era insuportável.”

O protesto do lado de fora começou após a PM impedir a saída de cerca de 80 sindicalistas que faziam o piquete dentro da estação, que integra as Linhas 1-Azul e 2-Verde. Ela funciona como um “terminal”, o coração da operação parcial. 

O grupo de metroviários chegou à Ana Rosa por volta das 4h para impedir que a estação funcionasse, forçando a paralisação do trecho. “Não houve negociação. Estávamos exercendo nosso direito democrático de greve fazendo o piquete na estação. Fomos pegos de surpresa quando a Polícia Militar chegou em um trem na estação”, afirmou Felipe Guarnieri, delegado sindical dos Metroviários. Pelo menos 12 PMs de armaduras, escudos e cassetetes desembarcaram de um trem vazio na Estação Ana Rosa.

De acordo com o major Robson Cabanas, subcomandante do 12.º Batalhão de Policiamento Militar Metropolitano, a PM deu um prazo para que os metroviários saíssem do local até as 6h10. “Eles perceberam que a PM ia fazer a contenção para fazer a identificação e resolveram sair”, afirmou. O representante do sindicato rebateu a versão da PM. Segundo ele, os manifestantes estavam deixando a estação antes do horário programado quando policiais militares impediram a saída. Neste momento, um grupo de sindicalistas conseguiu fugir, arrombando um portão. Os que ficaram para trás acabaram detidos.

Protesto. Após o confronto, integrantes de diferentes movimentos sociais e centrais sindicais fizeram um protesto em apoio aos metroviários. Em passeata, os manifestantes seguiram da Praça da Sé, no centro, até a Secretaria dos Transportes Metropolitanos, na Rua Boa Vista. O ato foi pacífico e, segundo a PM, reuniu 400 pessoas

Entre os participantes estavam integrantes do Movimento do Trabalhadores Sem-Teto (MTST), do Movimento Passe Livre (MPL) e de assembleias estudantis. Por volta das 10h, as ruas do centro foram tomadas por gritos como “Metroviário é meu amigo, mexeu com ele, mexeu comigo”. Durante a dispersão do protesto, por volta das 11h30, cerca de 60 manifestantes pularam as catracas da Estação Sé de Metrô. Segundo um funcionário da estação, não houve depredações./ COLABOROU LAURA MAIA DE CASTRO

Situação da rede do Metrô às 9h:

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