PM de folga é morto por policiais civis em SP

Dois investigadores, que estavam em carro descaracterizado, foram presos por homicídio

WILLIAM CARDOSO, O Estado de S.Paulo

05 de dezembro de 2012 | 02h05

O policial militar Geraldo Alves da Cruz, de 46 anos, foi morto anteontem à noite, durante a folga, em uma troca de tiros com policiais civis no Grajaú, na zona sul de São Paulo. As corregedorias das duas instituições apuram as circunstâncias do tiroteio, que aconteceu durante uma investigação sobre roubo de carga. Dois investigadores, que estavam em um carro descaraterizado, foram presos acusados de homicídio simples e irregularidade na função. Outro, que os acompanhava, não teria participado da ação.

Os policiais civis José Antonio Migliorini e Roberto dos Santos Tassinari, ambos de 43 anos, da 4.ª Delegacia do Patrimônio (roubo a condomínio), do Departamento Estadual de Investigação Criminais (Deic), receberam a informação de que um suspeito de envolvimento em roubo de cargas, conhecido como Gordinho, estava em um bar com outras pessoas.

Segundo testemunhas, no momento da abordagem, os investigadores desceram do carro armados, sem se identificarem. As pessoas que estavam no grupo, entre elas o PM, fugiram, por pensarem que se tratava de um ataque. Os policiais civis então deram um tiro para o alto. Nesse momento, Cruz teria sacado a arma para se defender.

O PM e mais duas pessoas entraram em um corredor, na tentativa de escapar pelo quintal de uma casa. O portão de acesso, porém, estava fechado. Os policiais civis continuaram atirando. Eles atingiram Cruz na cabeça, no peito e no braço. O investigador Tassinari foi baleado na perna. No local do crime, foram encontrados 34 cartuchos disparados tanto pelos policiais civis quanto pelo militar. Os investigadores estavam com uma metralhadora.

Marcas de tiros em portões, paredes e no chão são as provas da noite de terror que viveram os vizinhos do local do confronto. "Meu filho tinha acabado de sair de casa. Eu me apavorei e subi na laje para gritar por ele", afirmou uma dona de casa de 56 anos.

Uma loja de roupas teve o portão de aço perfurado pelas balas - uma delas atingiu um manequim e um vestido. "Minha sorte foi que fechei 15 minutos antes do que de costume. Poderia ter morrido se estivesse aqui dentro", afirmou a dona da loja, de 49 anos.

Segundo conhecidos, Cruz trabalhava nos dias de folga como segurança no comércio da Rua Jequirituba. Ontem, porém, estava voltando da casa do sogro e parou no bar apenas para conversar com amigos. "Quando terminaram de atirar e eu já estava deitado, virei para um dos investigadores e disse que eles tinham matado um policial. Perdemos um amigo", afirmou um segurança de 46 anos, que ficou no corredor com Cruz durante o tiroteio.

Perda. O soldado trabalhava no 50.º BPM. Segundo colegas, ele era o "pilar" da família e sustentava inclusive os pais, idosos. "Era 'sujeito-homem', como ele mesmo costumava dizer. Tinha uma palavra só. É um absurdo fazerem uma abordagem dessas, no meio da situação de violência que a gente vive hoje, sem se identificarem", disse um amigo da corporação. Cruz tinha um filho. O corpo dele foi enterrado ontem no Cemitério Parque dos Girassóis, em Parelheiros.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.