PM de folga é morta na frente da filha

Soldado foi atingida por 10 tiros quando saiu do carro para abrir portão de sua casa na Brasilândia; dois homens efetuaram disparos

DIEGO ZANCHETTA , WILLIAM CARDOSO, O Estado de S.Paulo

05 de novembro de 2012 | 02h04

A soldado da Polícia Militar Marta Umbelina da Silva, de 44 anos, foi assassinada na noite de anteontem, na Vila Brasilândia, zona norte de São Paulo. O crime aconteceu na frente de sua filha, de 11 anos. O corpo de Marta foi enterrado ontem no Cemitério Parque Jaraguá, também na zona norte. De acordo com o comandante-geral da PM, Roberval Ferreira França, trata-se da primeira mulher da corporação morta fora de serviço.

Segundo testemunhas, a policial desceu do carro onde estava para abrir o portão de casa quando foi baleada por dois homens que estavam, aparentemente, em um Honda Civic prata. O caso foi registrado no 72.º Distrito Policial (Vila Penteado), mas será investigado pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).

Depois do velório de Marta, o comandante-geral da corporação demonstrou indignação com o assassinato. "É um crime covarde, com dez tiros pelas costas. Estamos todos chocados e em luto", disse. França afirmou também que Marta estava na PM desde 1996 e que havia 11 anos prestava serviços internos.

Sobre os 90 policiais militares mortos neste ano, o coronel disse ter confiança de que este momento será superado. "A melhor forma de nossos homens honrarem os PMs mortos é continuar combatendo a criminalidade de acordo com as leis", afirmou. O comandante-geral também pediu leis mais rígidas. "No momento em que as autoridades discutem leis liberalizantes, o sentimento da sociedade é justamente o contrário. Devemos aproveitar o momento para discutir a redução da maioridade penal e tentar impor mais rigor na saída temporária", disse França.

O coronel disse que mais comunidades serão alvo de Operações Saturação nesta semana e afirmou que tem feito avaliações técnicas sobre a necessidade de transferência de presos.

O deputado estadual Major Olímpio Gomes (PDT) também esteve no velório. "O Estado não pode mais ignorar essa guerra", afirmou. Integrantes da Associação de Cabos e Soldados da PM fizeram a doação de R$ 1,4 mil para a família da policial, que tinha três filhas menores de idade.

Zona sul. Ontem, o corpo de um homem não identificado foi encontrado na Estrada das Lágrimas, perto da favela de Heliópolis, zona sul. Ele teria sido morto a tiros por homens em uma motocicleta. O caso foi registrado no 26.º DP (Sacomã) e também será investigado pelo DHPP.

Na quarta-feira, o cabo Haiton Borges dos Santos Evangelista, de 33 anos, e o soldado Antonio Paulo da Rocha, de 35, foram mortos a tiros na comunidade. Eles estavam à paisana.

Operações. A Operação Saturação, em Paraisópolis, zona sul, teve 33 pessoas presas e seis adolescentes apreendidos entre a segunda-feira passada e a manhã de ontem. Foram capturados oito foragidos. A PM achou 333,5 kg de maconha, 30,3 kg de cocaína, 50 frascos de lança-perfume, 16 armas e 344 munições.

Baixada. A Baixada Santista registrou pelo menos dois casos de violência entre a noite de anteontem e a madrugada de ontem. Segundo o jornal A Tribuna, de Santos, uma carta encontrada com um suspeito em São Vicente, atribuída ao Primeiro Comando da Capital (PCC), trazia a frase "só quero meter bala na PM".

Em Cubatão, Ricardo Bento de Almeida, de 23 anos, e Carlos Henrique de Menezes Bruno, de 21, foram mortos a tiros, às 22h18 de anteontem, na Ilha Caraguatá. Segundo testemunhas, os atiradores estavam em um Celta prata. Em São Vicente, três homens atearam fogo a um ônibus. Ninguém ficou ferido.

Imagens veiculadas ontem pelo Fantástico, da TV Globo, mostraram o momento em que o PM Ismael Alves dos Santos, de 38 anos, foi executado por dois homens em Guarulhos, no mês de setembro. O soldado foi morto dentro do mercado da família. Um dos homens identificados no vídeo foi preso.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.