PM de Bauru demite e processa policiais acusados de tortura

Policiais que assinaram mecânico e que torturaram e mataram adolescente estão com processos na Justiça

Jair Aceituno, especial para o Estado,

30 de julho de 2008 | 17h02

Bauru tem pendentes dois casos de violência policial, nos quais as vítimas foram mortas. No dia 5 de abril do ano passado, o mecânico Jorge Lourenço Junior, de 22 anos, foi assassinado com três tiros por policiais depois de fugir de um bloqueio com sua moto, porque estava sem habilitação e com o licenciamento vencido. Os soldados Lincoln César Cares, Renato Valderramas de Favari e Ricardo Antonio do Amaral, acusados da execução, foram demitidos da PM em junho ao final da sindicância administrativa que apurou suas ações. Também respondem a processos judiciais por homicídio e tentam, na Justiça, a reintegração aos seus postos. Desde a morte do mecânico até a demissão, trabalharam em serviços internos no 4º BPM/I.   Os soldados Emerson Ferreira, Juliano Arcângelo, Ricardo Ottavianni e Maurício Delasta e o cabo Gerson Gonzaga e o tenente Roger Vitiver de Souza, formalmente acusados de invadir uma casa, torturar e matar com choques elétricos o menor Carlos Rodrigues Filho, de 15 anos, na madrugada do dia 15 de dezembro, também prestam serviços internos enquanto aguardam o andamento das apurações da PM e do processo na 1ª Vara Criminal de Bauru.   No dia em que mataram o menor, acusado do furto de uma moto, os seis foram presos em flagrante e levados ao Presídio Militar Romão Gomes, em São Paulo. Os soldados e o cabo foram libertados no dia 15 de abril e o tenente ainda permaneceu preso até o dia 28 de junho pois, diferente dos demais, sua defesa questionou a imparcialidade do juiz, provocando a suspensão do seu processo, ainda sob recurso no Tribunal de Justiça do Estado. Seu livramento deu-se através de um habeas-corpus no STJ (Superior Tribunal de Justiça).   Os dois casos provocaram grande comoção em Bauru. Familiares e amigos de Jorge Lourenço realizaram diversas manifestações contra a violência policial logo após a sua morte e ainda permanecem mobilizados pela condenação dos executores. No mesmo dia em que morreu Carlos Rodrigues Junior, moradores do núcleo Mary Dota, onde sua família morava, promoveram um quebra-quebra na avenida Marcos de Paula Raphael, destruindo placas de trânsito, fachadas de lojas e montando barricadas no asfalto.   Indenização   A repercussão do caso de Rodrigues levou o governador José Serra a, numa atitude inédita, anunciar que o Estado indenizará a família mesmo antes de qualquer decisão judicial. Uma procuradora veio a Bauru e encontrou-se com a família, mas não divulgou os termos do acordo que, segundo fontes próximas deverá englobar o pagamento de uma quantia de imediato, seguida de um salário mínimo mensal até 2017, quando a vítima completaria 25 anos. Há um certo mistério quanto ao recebimento ou não. A mãe, Elenice Silveira Rodrigues mudou-se da casa onde o filho foi morto e não revelou o novo endereço. Seu advogado, André Veloso, também não foi encontrado para comentar a questão. Mas tramita no fórum de Bauru uma ação proposta por quatro advogados da cidade, pedindo a suspensão do pagamento.

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