PM cumpre reintegração de posse em Campinas e tira 42 famílias de terreno

Sem-teto recusaram abrigo municipal e prometem acampar na sede da prefeitura até impasse ser resolvido

Ricardo Brandt, O Estado de S. Paulo

17 Janeiro 2013 | 11h41

CAMPINAS - A Polícia Militar cumpre mandato de reintegração de posse na manhã desta quinta-feira, 17, em uma área às margens do Anel Viário José Roberto Magalhães Teixeira, em Campinas, no interior de São Paulo. O terreno era ocupado por 42 famílias desde julho do ano passado. Cerca de 130 policiais participaram da desocupação, que foi pacífica.

Os sem-teto afirmam não ter onde morar e decidiram não aceitar a proposta feita pela prefeitura de Campinas de irem para um abrigo para moradores de ruas. "Não aceitamos ser levados para um abrigo de viciados e moradores de rua. Somos famílias com crianças aqui. Vamos fazer uma passeata até a prefeitura e acampar por lá até que o prefeito Jonas Donizette dê uma solução para o problema", afirmou Lucas Hernani, de 33 anos, um dos coordenadores do Residencial Nova Aliança - nome dado à invasão.

O terreno, às margens do anel viário, que liga as rodovias Anhanguera e D. Pedro I, é particular e a Justiça determinou em outubro do ano passado que os invasores fossem retirados do local. Com ajuda do helicóptero Águia, oficiais da cavalaria e do canil, os policiais ocuparam o terreno por volta das 9h.

Os barracos começaram a ser derrubados com a ajuda de um trator. Alguns integrantes da invasão atearam fogo em alguns dos barracos. Na terça-feira, 15, os sem-teto fizeram um protesto contra a reintegração de posse. Eles fecharam os dois sentidos do anel viário com uma barricada de pneus e atearam fogo.

Para evitar que a pista fosse novamente ocupada, um cordão de isolamento com policiais foi montado pela PM às margens da rodovia. A Concessionária Rota das Bandeiras, que administra a rodovia, registrou lentidão de três quilômetros no trecho, por causa do fechamento de uma das pistas, mas sem congestionamento.

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