Google Street View/Reprodução
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PM confessa ter matado andarilho em Taubaté, diz Polícia Civil

Policial teria agido em conjunto com o irmão, que é agente penitenciário, e mais duas pessoas; ele deve responder a processo em liberdade

Rene Moreira, Especial para O Estado

05 de fevereiro de 2019 | 16h33
Atualizado 06 de fevereiro de 2019 | 16h13

FRANCA - Um policial militar, um agente penitenciário e outras duas pessoas são acusados de assassinar um andarilho em Taubaté, no interior de São Paulo, na semana passada. O PM teria confessado o crime, segundo informou a Polícia Civil na noite de segunda-feira, 4.

Aos investigadores, o PM, que atua na capital paulista, teria alegado que o andarilho usava drogas na rua, incomodava as pessoas e vinha ameaçando sua esposa, que trabalha no comércio na região da rodoviária de Taubaté. O crime aconteceu na última quarta-feira, 30.

Ele e o agente penitenciário são irmãos e, segundo a Polícia Civil, vão responder ao processo em liberdade por colaborar com as investigações. Os outros dois citados seguem foragidos.  

O andarilho foi localizado em um córrego no bairro Pinheirinho. Os investigadores chegaram aos suspeitos após analisar imagens de câmeras de segurança das ruas e colher depoimento de testemunhas, que viram quando ele foi colocado à força dentro de um carro.

Inicialmente, o PM e o irmão negaram o crime. Marcas de sangue encontradas no veículo, no entanto, fizeram com que confessassem o homicídio.

Em depoimento, o PM alegou que queria apenas dar um susto no andarilho e não tinha a intenção de matá-lo. O corpo apresentava ferimento de pancada na cabeça, porém, sem perfuração. Exames foram realizados e apontarão as causas da morte.

Andarilho respeitava as pessoas, dizem moradores

A vítima aparentava ter em torno de 30 anos e não portava documentos. "Esse rapaz, apesar de ser usuário (de drogas), sempre respeitou as pessoas. Eu sempre o ajudei quando podia, ele até vigiava os comércios próximos onde dormia", declarou pelas redes sociais o pastor de uma igreja da região.

Além dele, mais de 90 pessoas se manifestaram ao saber da morte e quase todas com mensagens também em favor da vítima. "Eu o conhecia, nunca fez mal para ninguém, era super-respeitador", afirmou uma mulher. "Que eu saiba ele tinha o vício dele, mas sempre o via fazendo serviços como limpar mato nas calçadas e tirar entulhos", disse outro morador. 

SAP repudia 'desvio de conduta'

A Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) informou que "repudia qualquer tipo de desvio de conduta realizado por seus funcionários, ainda que não praticado durante o exercício da função". Também afirma que "colabora com as investigações".

A Secretaria da Segurança Pública disse que o caso é investigado pela Divisão de Investigações Gerais (DIG) de Taubaté. "Os irmãos mencionados pela reportagem foram ouvidos e indiciados pelo crime. As investigações seguem em curso em razão da suspeita da participação de outros envolvidos. A Polícia Militar acompanha o andamento das investigações e adotará as medidas disciplinares cabíveis."

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