Leonardo Soares/AE
Leonardo Soares/AE

PM cerca acessos e patrulha largos da Freguesia do Ó

Decisão foi tomada após um conflito com jovens exigir o uso de gás lacrimogêneo; Operação Delegada também será adotada

Elvis Pereira, O Estado de S.Paulo

09 Julho 2011 | 00h00

Os acessos aos tradicionais Largos da Matriz de Nossa Senhora do Ó e da Matriz Velha, na Freguesia do Ó, zona norte de São Paulo, agora são monitorados por policiais militares de sexta a domingo. No mês passado, a polícia precisou recorrer a bombas de gás lacrimogêneo para controlar frequentadores do Largo da Matriz de Nossa Senhora do Ó, onde estão concentrados bares e restaurantes.

A área é conhecida por abrigar estabelecimentos famosos, como a Pizzaria Bruno, inaugurada em 1939, e o Frangó, em funcionamento desde 1987. Recentemente, a fama passou a atrair também jovens de bairros vizinhos. De carro ou de motocicleta, eles ocupavam os largos, ouviam música alta, bloqueavam o trânsito e consumiam bebidas alcoólicas em excesso.

Segundo o major Waldir Pires, subcomandante do 18.º Batalhão da PM, a ação, batizada de Tranquilidade Pública, será mantida por tempo indeterminado. "O que a gente procura fazer é inibir abusos." A Tranquilidade teve início no dia 23. De 30 a 40 policiais se posicionam em quatro acessos dos largos, para reter suspeitos. A ação começa às 17 horas e se estende até as 2h15 do dia seguinte.

Os largos também deverão receber neste mês o reforço de policiais da Operação Delegada, na qual os PMs ganham para trabalhar nos horários de folga. A principal tarefa dos policiais será a de coibir o furto de celulares e documentos e o uso de drogas, como maconha e cocaína.

"Tem gente que de sábado e domingo não vinha por conta dessa bagunça", afirma João Machado Siqueira Filho, de 60 anos, sócio da Pizzaria Bruno. "Tinha briga direto aí no largo." As confusões ocorriam em meio a um público que chegava a 1,5 mil pessoas - a maioria adolescentes e jovens.

"Essa praça era sossegada. Parecia de interior. Todo mundo conhecia todo mundo. Mas hoje tem muita gente de bairros vizinhos", explica o mecânico Sérgio Lourenci, de 54 anos, há 47 morando no Largo da Matriz Velha. "Já fizemos abaixo-assinado, cansamos de reclamar para a polícia."

Já o aposentado Fuzio Sasaki, de 73 anos, queixa-se do desrespeito às regras de estacionamento. "Estacionam na nossa porta, não respeitam ninguém."

Números. A ampliação do patrulhamento foi decidida após o conflito com gás lacrimogêneo. "Jogaram pedra nas viaturas, começaram a xingar", conta o capitão da PM Walter Luco Júnior. "Agora estamos fazendo operações de bloqueio."

Os dados da PM já indicam redução no número de crimes nos largos. Entre os dias 10 e 19 do mês passado, foram registrados 6 furtos, 2 roubos e 6 brigas. Do dia 24 até o domingo passado, com a operação em andamento, houve duas brigas e nenhuma ocorrência de furto ou roubo.

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