PM atira em jovem à queima-roupa

Em Manaus, câmera flagrou agressão a adolescente que nem estava armado; divulgação de vídeo fez os policiais terem prisão decretada

Liege Albuquerque, O Estado de S.Paulo

25 Março 2011 | 00h00

A Justiça do Amazonas decretou ontem a prisão preventiva dos sete policiais militares que agrediram um garoto de 14 anos na periferia de Manaus, em 17 de agosto do ano passado. Um deles, identificado como André Luiz Castilhos Campos, atirou à queima-roupa três vezes no adolescente - que sobreviveu.

As imagens da violência caíram na internet na noite de terça-feira, após a TV A Crítica, retransmissora da Rede Record no Amazonas, exibir o vídeo que flagrou a ação, feito por circuito fechado de vigilância. A gravação de dois minutos mostra o adolescente - que estava desarmado e não reagiu - sendo cercado por homens da unidade tática da PM que, em seguida, atiram contra ele. Ocorre assim: o policial militar armado aparece agredindo e ameaçando o rapaz. Dá um primeiro tiro, o garoto tenta escapar e leva mais um. Recebe, então, um terceiro tiro do mesmo policial. Outros PMs chegam ao local em uma viatura e arrastam o garoto até um dos carros da polícia.

Os PMs alegam que o garoto fazia parte de um grupo de traficantes e, por isso, tiveram de atacá-lo. O adolescente diz ter sido agredido sem motivo. Segundo o juiz que decretou as prisões, Antônio Bismarck, a medida veio "para manter a segurança da aplicação da lei penal".

Em depoimento ao Ministério Público Estadual (MPE), o adolescente, que agora entrou para o Programa Estadual de Proteção a Vítimas e Testemunhas (Provita), disse que os policiais discutiram no carro para levá-lo a um pronto-socorro a mais de 10 quilômetros de onde estavam "para dar tempo de morrer". Segundo o procurador do MPE que investiga o caso, João Bosco Sá Valente, já foram ouvidos dois dos sete policiais envolvidos. "Até a semana que vem, ouviremos os demais e as testemunhas. Queremos o caso concluído o quanto antes", disse.

Valente contou que o vídeo lhe foi entregue por um jornalista da TV A Crítica e a solicitação para a PM enviar a lista dos policiais que trabalhavam naquele local e data foi feita em 28 de fevereiro. "A família do garoto já havia denunciado o caso à Corregedoria, mas nada foi feito."

Detidos. O secretário de Segurança Pública do Estado, Zulmar Pimentel, por meio de sua assessoria, anunciou que estavam afastados e detidos administrativamente, no Batalhão da PM, seis dos sete policiais envolvidos. Além de André, os outros policiais identificados e detidos são Wesley Souza dos Santos, Rosivaldo de Souza Pereira, Marcos Teixeira de Lima, Janderson Bezerra Magalhães e Alexandre Souza. A polícia fazia, na noite de ontem, buscas para localizar o sétimo policial que aparece no vídeo, Wilson Cunha.

Por meio de sua assessoria, o comandante da PM, coronel Dan Câmara, informou que não teve acesso ao vídeo, apenas ao pedido da listagem dos policiais. A reportagem tentou falar com Dan Câmara, mas não obteve nenhuma reposta.

Repercussão nacional

A Secretaria de Direitos Humanos e o Conselho Nacional dos Direitos da Criança vão acompanhar as investigações.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.