JF Diório/Estadão
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Polícia apura morte de rapaz em abordagem na zona norte de SP

Segundo familiares, Rafael Paulino teve o pescoço 'violentamente apertado' por um policial; PMs dizem que ele teve mal súbito

Mônica Reolom, O Estado de S. Paulo

25 Julho 2015 | 03h00

SÃO PAULO - A Corregedoria da Polícia Militar vai investigar a morte de um adolescente de 15 anos durante abordagem policial na noite de segunda-feira, na Rua Ouro Grosso, Casa Verde, zona norte de São Paulo. Segundo vizinhos e familiares, Rafael Ferraz Delfino de Souza Paulino teve o pescoço “violentamente apertado” por um policial. Os PMs, por sua vez, disseram que ele teve mal súbito. O ocorrência foi registrada como “morte suspeita” no 13.º DP (Casa Verde).

A polícia foi acionada para atender a uma agressão na rua, durante uma briga de casal. Depois de separar o casal e enquanto esperavam por apoio, segundo o Boletim de Ocorrência, os PMs avistaram “três indivíduos desconhecidos, visivelmente alterados”, que faziam “gestos com as mãos” – mas não era possível esclarecer se as “ameaças” eram dirigidas aos policiais militares ou ao homem que havia agredido a companheira.

Os PMs Edgar de Abreu Serra e Vinicius Campos da Silva decidiram abordar o trio “para averiguação”. Ainda segundo o BO, como eles se recusaram e estavam agressivos, os policiais se aproximaram de Rafael “segurando-o pelo braço e colocando-o contra a parede”. Ele, então, teria “revirado os olhos e caído de joelhos no chão”, sendo socorrido por vizinhos em seguida. O adolescente foi levado ao hospital, mas não resistiu.

O soldado Edgar ressalta no boletim que “em nenhum momento usou de força ou violência para abordar Rafael”.

O advogado Ariel de Castro Alves, coordenador Estadual do Movimento Nacional de Direitos Humanos, encaminhou nesta sexta-feira, 24, um pedido de apuração sobre a morte à Ouvidoria da PM, que diz ter oficiado a Corregedoria, que vai investigar a morte. Segundo Ariel, além de as circunstâncias do óbito serem controversas, outros policiais compareceram nos dias seguintes à mesma rua e no velório do adolescente, "com a finalidade de ameaçarem e intimidarem as testemunhas e familiares."

Uma conhecida de Rafael que não quis se identificar informou que PMs têm ameaçado os amigos do adolescente e muitos deles acabaram indo para casas de parentes longe da região. A mãe de Rafael está no interior do Estado desde o ocorrido. "O clima é de medo por aqui", disse a conhecida, que é moradora do bairro.

Investigação. A Secretaria Estadual da Segurança Pública informou que foi aberta uma sindicância para apurar o caso, que também está sendo investigado no 13º DP. O delegado titular, Egídio Cobo, disse que que a Polícia Civil solicitou exames periciais, incluindo o necroscópico e toxicológico, para determinar a causa da morte. A PM também aguarda o resultado dos exames, que indicará a necessidade legal de se instaurar outros tipos de procedimentos.

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