PM apontado como um dos 'Matadores do 18' é absolvido de um dos crime

Para a maioria dos jurados, não havia provas contundentes no caso da morte de um comerciante

Pedro da Rocha e Priscila Trindade, do estadão.com.br,

10 de fevereiro de 2012 | 01h08

SÃO PAULO - Após 10 horas de julgamento no Fórum de Santana, zona norte da capital paulista, saiu, no início da madrugada desta sexta-feira, 10, o veredicto do soldado da PM Pascoal dos Santos Lima, de 35 anos, apontado pela polícia como autor de 17 homicídios, entre eles o do coronel José Hermínio Rodrigues, que comandava o policiamento militar na zona norte da cidade.

 

O soldado foi absolvido pelo júri no caso do assassinato do comerciante Eder Walter Moreira, de 32 anos, crime ocorrido em 26 de novembro de 2006, mas, como responde a outros processos já preso, o réu deixou o prédio em uma viatura da polícia e retornou para a carceragem. Para a maioria dos jurados, não havia provas contundentes contra o réu.

 

O promotor Francisco Cembranelli elogiou o trabalho de investigação elaborado pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e estranhou o resultado do julgamento. "Não sei se prevaleceu a cultura do extermínio, em que 'bandido bom é bandido morto', ou se os jurados se sentiram intimidados. As provas eram consistentes. Na minha opinião os jurados erraram", disse.

 

Indagado sobre uma suposta intimidação que teria influenciado na decisão dos jurados, o advogado de defesa Nilton de Souza discordou: "Não havia provas, elas eram muito fracas. Pelo que eu percebi o júri estava bem tranquilo e não se intimidou". A delegada Alessandra Agostini, do DHPP, que presidiu a investigações, ao deixar o fórum, não quis comentar o resultado do julgamento e, caminhando, sem parar para falar com os repórteres, apenas disse uma palavra ao ser indagada sobre a existência de provas suficientes: "Havia", afirmou.

 

O Ministério Público irá recorrer da decisão segundo o promotor Cembranelli. O réu é apontado como integrante do grupo de extermínio "Matadores do 18", referência ao 18º Batalhão, e ficou conhecido após ser apontado como assassino do coronel Rodrigues, que investigava a ação de um grupo de extermínio formado por policiais militares na zona norte de São Paulo.

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