PM amplia ocupação em Paraisópolis e Marzagão vai à favela

No começo da tarde, rojões e fogos de artifício foram queimados e houve suspeita de um novo confronto

Fabiana Marchezi, do estadao.com.br,

03 Fevereiro 2009 | 16h17

O secretário estadual da Segurança Pública de São Paulo, Ronaldo Marzagão, esteve na tarde desta terça-feira, 3, na Favela de Paraisópolis, zona Sul da capital, um dia depois dos conflitos entre parte dos moradores da comunidade e a polícia militar. Além de garantir que o ambiente é de normalidade e tranquilidade, Marzagão deu informações sobre a continuidade da ocupação pela tropa de Choque da Polícia Militar. Veja também: Moradores soltam rojões e PM intensifica ronda Ao menos 6 ficaram feridos no confrontoPolícia relaciona morte de traficante a protestoParaisópolis passa por mudança TV Estadão - O confronto com a PM Galeria de fotos do confronto em Paraisópolis   A partir de amanhã, disse o secretário, a polícia terá o efetivo de 293 policiais, 70 viaturas, 20 cavalos e quatro cães dos Batalhões de Choque em Paraisópolis, além da presença da Polícia Militar nas adjacências. Será mantida nesta quarta-feira uma operação nos moldes da Operação Saturação na região, com o objetivo de vigiar todas as saídas da favela e prender os participantes dos tumultos da última segunda-feira. "Ficaremos com estas unidades aqui o tempo necessário, até que seja esclarecida a autoria dos diversos crimes, tanto de dano ao patrimônio como também de tentativa de homicídio aos policiais, e eventualmente formação de quadrilha", disse o secretário. 'Situação sob controle' O governador de São Paulo em exercício, desembargador Roberto Antonio Vallim Bellocchi, afirmou que a situação na favela de Paraisópolis está sob controle e elogiou a atuação da Polícia Militar no local. "Não, não há descontrole. A Polícia Militar agiu com 180 homens. Foi uma situação difícil ontem, mas já está sob controle", disse, antes de participar da cerimônia de abertura do ano judiciário, na capital paulista. Bellocchi lamentou que policiais tenham se ferido no conflito. "Infelizmente, um grupo de marginais atentou contra a Polícia Militar em um lugar que está urbanizado, que tem 80 mil pessoas de bem", afirmou. O governador em exercício disse não temer que o tráfico tome conta de São Paulo. "Isso existe no mundo inteiro, infelizmente. Mas em São Paulo está sob controle. Temos uma reserva de segurança muito boa e uma investigação permanente", declarou. Bellocchi, que é carioca, disse que a situação em São Paulo não se compara ao que acontece atualmente no Rio de Janeiro. "Creio que não, as histórias são diferentes." Paraisópolis ocupada Na segunda, Marzagão determinou à Polícia Militar que os acessos da favela ficassem ocupados por tempo indeterminado. "Esses bandidos ficarão cercados e serão presos, senão hoje (segunda) nos próximos dias", afirmou Marzagão. "A saturação da área é uma forma de proteger a população de bem e, ao mesmo tempo, dar uma resposta aos criminosos. Vamos agir dentro da lei."   Marzagão preferiu não especular sobre os motivos da manifestação. "Não me parece que sejam os moradores da favela. A maioria que vive ali é de gente de bem, que não atira na polícia", disse. Para Marzagão, a ação foi preparada com antecedência. "É importante que se diga que, aqui em São Paulo, não há lugar impenetrável para a polícia. É lamentável que tenhamos homens feridos, mas faz parte da construção de uma sociedade civilizada", concluiu ele, antes de sobrevoar a favela no fim da noite da segunda. No final da noite, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) informou que já havia liberado o trânsito nas ruas Doutor Francisco Tomas de Carvalho e Doutor Flávio Américo Maurano, que fazem a ligação entre as avenidas Morumbi e Giovanni Gronchi, as principais da região. Todas as linhas de ônibus que atendem as ruas do entorno da favela operavam normalmente nesta manhã. Por causa do confronto, muitos ônibus não tiveram como passar pelo local na segunda. Histórico Já não é a primeira vez que a polícia ocupa a favela de Paraisópolis. Em agosto do ano passado, um grupo de 300 policiais passaram cerca de 10 horas na região, respondendo a uma demanda dos moradores do Morumbi por mais policiamento. Nascida de um loteamento que, em 1921, formava um xadrez de quadras regulares, a Favela Paraisópolis tem atualmente cerca de 80 mil moradores, que habitam um emanharado de casas e barracos, na zona sul da capital paulista. O crescimento desordenado fez com que as ruas fossem ficando cada vez menores, conforme os imóveis iam avançado.  A comunidade, com uma área de aproximadamente 100 hectares, está localizada no meio do Morumbi, bairro nobre de São Paulo. Hoje, existem projetos de urbanização e habitação para 'transformar' o local em um bairro. Somente a segunda fase do projeto foi orçado em R$ 150 milhões para criar um plano viário na favela e a construção de unidades habitacionais. Texto ampliado às 23h20 para acréscimo de informações.

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