Vanderlei Almeida/AFP
Vanderlei Almeida/AFP

PM ameaça prender por abuso em preços

Em Nova Friburgo, galão de água custa R$ 40; Força Nacional vai prevenir saques

Bruno Lousada e Flavia Tavares, O Estado de S.Paulo

17 Janeiro 2011 | 00h00

O comandante-geral da Polícia Militar do Rio, coronel Mário Sérgio Duarte, ordenou ontem que sejam presos os comerciantes flagrados cobrando preços abusivos por alimentos, água e velas nas cidades da região serrana do Rio. Duarte afirmou que "não vai tolerar esse tipo de atitude". "Ninguém pode explorar a dor dos outros, se aproveitar da agonia da população para vender, por exemplo, um pacote de velas (que custa cerca de R$ 1,50) por R$ 10. Quem encontrarmos se aproveitando da desgraça alheia para ter lucro, será preso imediatamente e levado ao Ministério Público", disse o comandante. Até ontem à noite, ninguém havia sido preso, segundo a polícia.

De acordo com alguns moradores de Nova Friburgo, uma das áreas mais devastadas da região serrana, galões d"água, cujos preços não ultrapassavam R$ 6, estão sendo vendidos por até R$ 40. Uma caixa de leite passou a custar R$ 10, quatro vezes mais que o valor original

Nos últimos dias, a PM começou a receber denúncias de "abuso de poder econômico" na venda de mantimentos, principalmente em Teresópolis e Nova Friburgo, e decidiu tratar o caso como prioridade. Ontem, supermercados e mercearias abriram as portas normalmente, sem escassez de produtos essenciais.

O subchefe administrativo da Polícia Civil, delegado Fernando Albuquerque, garantiu também que serão investigados crimes contra o consumidor. As penas vão de 2 a 5 anos de prisão, sem fiança. "Somente na delegacia vai ser decidido se o comerciante será indiciado por crime contra a economia popular ou por extorsão. Não vai ter conversa", afirmou o relações-públicas da PM, coronel Lima Castro.

Tasers. Além de reforçar as operações de busca e as atividades de perícia, a Força Nacional de Segurança (FNS) também participa do policiamento em Teresópolis e Nova Friburgo, com o objetivo de evitar saques, assaltos e outros abusos. Os 130 militares patrulharão as ruas com tasers - armas não letais usadas para aplicar choques nos suspeitos. "Sabemos que as pessoas que invadem uma casa em busca de alimentos ou outros objetos não são criminosos comuns, são pessoas com extrema necessidade. Por isso, não usaremos o armamento convencional nesses casos", disse o major Alexandre Aragon, diretor da FNS.

Hoje, será montado em Itaipava, em Petrópolis, um hospital de campanha da Aeronáutica, a pedido da Defesa Civil do Estado e da prefeitura da cidade. Embora os hospitais tradicionais não estejam enfrentando dificuldades para atender moradores e sobreviventes da devastação, eles ficam distantes da área mais atingida pela chuva.

O hospital da Aeronáutica terá capacidade de atender até 400 pessoas por dia e atuará de forma preventiva, ajudando na vacinação dos moradores, nas especialidades de pediatria, ortopedia, ginecologia, clínica médica, odontologia e cirurgia geral. "Estamos fazendo vacinação antitetânica em postos volantes e fixos também", diz Paulo Mustrangi, prefeito de Petrópolis.

O hospital de campanha ficará aberto das 8h às 17h e terá 36 militares, entre médicos e enfermeiros. No hospital municipal Alcides Carneiro, há somente uma vítima da chuva internada, em estado grave. Hoje a Secretaria Municipal de Saúde deve divulgar um balanço dos atendimentos realizados até agora. / COLABOROU BRUNO BOGHOSSIAN

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