PM agiu em legítima defesa, diz governo

Secretário da Segurança Pública e comandante-geral da PM defendem polícia. Segundo Grella, rapaz baleado tinha ‘material explosivo’

Caio do Valle; Laura Maia de Castro e Luciano Bottini Filho, O Estado de S. Paulo

27 Janeiro 2014 | 23h19

SÃO PAULO - O secretário de Estado da Segurança Pública, Fernando Grella Vieira, e o comandante-geral da Polícia Militar, coronel Benedito Roberto Meira, defenderam nesta segunda-feira, 27, a ação da polícia no caso do rapaz que foi baleado na noite de sábado após manifestações em São Paulo. Os dois afirmaram que os oficiais agiram em "legítima defesa".

Segundo Grella, o inquérito policial em andamento no 4.º DP (Consolação) aponta que o estoquista Fabrício Proteus Chaves, de 22 anos, e um colega portavam duas bolsas contendo uma chave de grifo, estilete, bolinhas de gude, óculos de proteção, uma garrafa de vinagre e "material explosivo". Imagens dos objetos que o rapaz estaria portando foram divulgadas nesta segunda pela Secretaria de Segurança Pública.

Em entrevista à Rádio Estadão, o comandante-geral da PM disse que imagens de um prédio da Rua Sabará confirmam a versão dos PMs. "Vimos as imagens e percebemos que as declarações dos policiais são coerentes com aquilo que aconteceu. Temos absoluta tranquilidade de que a ação dos policiais foi legítima", afirmou.

O governador Geraldo Alckmin (PSDB) destacou que a Polícia Militar abriu um inquérito para apurar as circunstâncias em que o manifestante foi baleado. "De um lado, a polícia tem de prender quem está cometendo um crime e proteger a população. Do outro, não (pode) errar. Esse é o desafio. E se a polícia erra, responde por isso."

Alckmin voltou a dizer que as manifestações são legítimas e fazem parte do processo democrático. "Podem concordar, discordar, mas não há nenhum problema em haver manifestação." E criticou os que se aproveitam dos atos para "fazer depredação, vandalismo e ferir pessoas". "É uma tarefa que não é fácil (a da polícia)."

O diretor da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil - seção São Paulo (OAB-SP), Martim de Almeida Sampaio, disse que está acompanhando "com rigor" o caso, mas que as informações ainda são controversas.

"É precipitado emitir um juízo de valor com essa falta de informação. Por enquanto, pela versão oficial e pelos fatos que temos em mãos, parece que a ação está dentro do protocolo (da polícia), por mais violenta que tenha sido", disse Sampaio.

De acordo com o advogado, a comissão que quer verificar, entre outras variáveis, se o segundo tiro foi uma atitude desnecessária. "Se os policiais erraram, vamos exigir a punição."

O defensor público Carlos Weis, coordenador de Direitos Humanos da Defensoria Pública de São Paulo, disse que ainda há muitos pontos a serem esclarecidos, mas disse que, segundo relatos de uma testemunha, Chaves não estava com o estilete no bolso. "Os bolsos do rapaz foram revistados antes dele correr."

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