PM acusa desembargadora de desacato em blitz

Segundo a polícia, filha teria dito: 'Mãe, mostra para ele quem nós somos'; advogada diz, no entanto, que magistrada é que foi agredida por agente

ARTUR RODRIGUES, RICARDO VALOTA, O Estado de S.Paulo

13 Julho 2012 | 03h03

Uma desembargadora do Tribunal Regional do Trabalho da 2.ª Região (TRT2) e a filha dela, uma advogada, acabaram na delegacia após uma confusão com policiais militares durante blitz da lei seca na noite de anteontem na Avenida Paulista. Os policiais militares registraram boletim de ocorrência por desacato, enquanto a magistrada denunciou os PMs por agressão.

A desembargadora Yara Ramires da Silva de Castro estava no Chery QQ, dirigido pela filha Roberta Sanches de Castro e com outras duas passageiras. Elas voltavam do show do violinista André Rieu, no Ginásio do Ibirapuera. O veículo foi parado por militares da Companhia Tática do Comando de Policiamento de Trânsito (CPTran) às 23h45. Após entregar os documentos e ser convidada a fazer o teste do bafômetro, segundo a PM, a condutora do veículo teria ficado indignada e dito: "Isso é uma palhaçada. Mãe, mostra para ele quem nós somos".

Pela versão da PM, a desembargadora desceu do carro, pegou o documento de identificação e jogou contra a policial. Após pegar o documento de volta, a desembargadora tentou deixar o local com a filha, mas os documentos de Roberta já estavam com os policiais. Segundo os PMs, na tentativa de recuperar o documento, a filha da magistrada tentou agredir uma policial, mas acabou atingindo outro PM, que se posicionou na frente da soldado.

"Chegou um policialzinho que me empurrou, me agrediu. Mesmo eu dizendo o que era e o que não era, eles desconhecem completamente o que é um desembargador, senso de hierarquia", disse a desembargadora à TV Globo. Ontem, ela não quis falar com o Estado por estar abalada. Em nome dela e da filha, a advogada Mariangela Lopes Leão afirmou que a confusão começou após os policiais darem um "chá de cadeira" nas duas durante a blitz. "A policial mandou todas descerem para fazer a revista no carro e a doutora Yara falou que não desceriam porque não tinha o que revistar." Roberta afirmou que não faria o teste do bafômetro por ser uma "arbitrariedade".

Segundo Mariangela, nesse momento um policial "deu uma peitada, colocou as duas mãos para trás e empurrou a doutora Yara, dizendo: 'Você vai para o carro'". "Aí a Roberta começou a gritar: 'Você tem de pedir desculpas, não empurra minha mãe.' Foi quando os policiais seguraram o braço dela e deixaram uma marca." A advogada afirmou também que a magistrada "não deu carteirada" e Roberta não bebe. Por isso, aceitou tirar sangue para ser analisado pelo Instituto Médico-Legal (IML).

Um vídeo feito pelos policiais militares mostra mãe e filha exaltadas, mas não registra as agressões e ofensas atribuídas às duas. Mãe e filha foram até a Corregedoria da PM prestar depoimento e de lá foram para o plantão do 78.º DP (Jardins).

Multa. Além de desacato, segundo a polícia, foi feito um auto de infração de averiguação de embriaguez para Roberta por não ter aceitado soprar o bafômetro. Neste caso, a condutora é multada em R$ 957,70, mas não fica impedida de dirigir.

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