PM acha túneis abertos para dia do jogo

Ideia dos assaltantes era roubar cofre de agência do Banco do Brasil em São José dos Campos; investigação começou após vigias sentirem trepidação

Renato Machado, O Estado de S.Paulo

24 de junho de 2010 | 00h00

Escavação. Túnel descoberto pela Polícia Militar tinha 400 metros de extensão e seguia até uma galeria de águas pluviais

 

      A Polícia Militar descobriu, na madrugada de ontem, uma passagem subterrânea de 400 metros, aberta para roubar uma agência do Banco do Brasil em São José dos Campos, no Vale do Paraíba. Um dos túneis, parte da ligação, já havia atingido o concreto da sala do cofre, um indício de que a ação seria nos próximos dias, provavelmente amanhã, na hora do jogo do Brasil. No outro extremo, há uma residência, onde foram apreendidos fuzis e pistolas. Ninguém foi preso.

Os policiais começaram a investigar ações suspeitas na região há cerca de 15 dias, quando seguranças do banco informaram que havia "barulho" e "vibração" no prédio durante a madrugada. Inicialmente, nada foi encontrado. Mas, por volta das 3 horas de ontem, um primeiro túnel, de cerca de 30 metros, foi localizado ligando a rede de galerias pluviais ao subsolo da agência. Ele tinha formato quadrado, com 70 centímetros de lado. Escoras de madeira mantinham a passagem aberta.

"Como eles já estavam muito perto do cofre, uma possibilidade é que o roubo seria no dia do jogo do Brasil (amanhã)", diz o major da PM Nilson Souza Silveira, que participou da operação. Ele explica que a perfuração do concreto resultaria em muito barulho, que poderia ser abafado pelos sons da torcida. No local funcionam duas agências do Banco do Brasil - uma delas é distribuidora de recursos do Banco Central para outros bancos.

A partir do primeiro túnel, as equipes percorreram toda a rede de galerias pluviais. Na esquina entre as Ruas Dolzani Ricardo e Antônio Sais, uma nova ligação foi encontrada, do mesmo tamanho da primeira. O segundo túnel seguia até uma residência de classe média que, segundo os vizinhos, foi alugada há cerca de dois meses.

Na casa, todas as paredes estavam forradas com espuma de isolamento acústico. Ali também foram encontrados quatro fuzis israelenses, três pistolas 9 mm, uma calibre 45, munição e skates para transportar a terra pelo túnel. A saída do buraco ficava na sala principal, onde havia equipamentos de escavação. Um dos quartos estava completamente tomado por sacos com terra.

Não havia ninguém no local na hora da ação da polícia. Apenas um homem chegou a ser detido, pois estava ao lado de um bueiro e com aparência suja. Foi liberado logo depois.

Casal. Vizinhos contam que viam na casa apenas um casal, que saía todos os dias pela manhã e voltava no fim do dia, passando a impressão de que ia para o trabalho. "Eram pessoas extremamente discretas e quase não víamos o casal por aqui", diz Afonso Monteiro, de 58 anos, proprietário de uma academia vizinha. "O casal saía bem cedo em um carro prata e voltava depois das 21 horas, quando eu já tinha fechado a academia. Só de vez em quando eu via uma mulher varrendo a calçada."

Os policiais, no entanto, encontraram na casa pelo menos dez colchões, o que indica que mais gente morava ali. Acharam também documentos de um outro imóvel na mesma rua, que também foi averiguado. Mas o local estava abandonado, com um buraco no chão, tampado com concreto.

Outros casos. As investigações sobre o caso passaram para a Polícia Federal, pois o armamento encontrado é proibido no País. "Como o roubo não foi consumado, nós vamos partir do ponto de que houve porte ilegal e tráfico internacional de armas", informou o delegado da PF Ricardo Carneiro. Segundo ele, também será apurada uma possível ligação dessa tentativa de roubo com outros casos famosos, como o furto do Banco Central de Fortaleza, em 2005.

Ana Pereira

DUAS PERGUNTAS PARA...MORADORA DA RUA EM QUE ESTÁ A CASA ONDE O TÚNEL DESEMBOCA

1. Os vizinhos não acharam o comportamento na casa suspeito?

Eles só fizeram um grande barulho nos primeiros dias, quando trocaram o piso e colocaram um portão mais fechado na frente. Mas não vimos nada de mais.

2. E depois disso?

Nós quase não os víamos. Eles saíam de manhã e voltavam à noite, mas nunca falavam com ninguém. Foram só duas ou três vezes em que eles receberam bastante gente e os carros tomaram toda a calçada.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.