PM abre inquérito para investigar excesso em manifestação

Comandante geral e secretário de Segurança Pública defenderam repressão durante ato na estação Tatuapé

Rafael Italiani, O Estado de S. Paulo

13 de junho de 2014 | 16h20

SÃO PAULO - A Polícia Militar abriu uma investigação para apurar os excessos cometidos pelos policiais, na manifestação contra a Copa do Mundo, nesta quinta-feira, 12, na estação Tatuapé da Linha 3-vermelha e ruas da região. Mesmo instaurando um inquérito interno, o secretário estadual de Segurança Pública, Fernando Grella Vieira, defendeu a ação da PM, nesta sexta-feira, 13, durante uma coletiva de imprensa do Palácio dos Bandeirantes, no Morumbi, na zona sul. "A policial agiu corretamente. Usou a força proporcional aos eventos e aos atos de violência para manter a ordem pública", afirmou o secretário. 

Durante as manifestações do ano passado, Grella proibiu o uso de balas de borracha contra manifestantes. No protesto contra a Copa, a munição foi usada em ativistas e jornalistas que trabalhavam no local. "A bala de borracha não foi empregada contra manifestantes, foi usada contra um grupo de pessoas que estava ali para praticar atos de violência, agressão e ameaça", disse o Grella. Ainda de acordo com ele, "a população aplaudiu" a ação da PM durante o protesto. "Contra baderneiros que querem quebrar e depredar patrimônio público, agredir e ameaçar as pessoas, a polícia tem que usar as armas não letais." 

Grella também negou que a PM esteja reprimindo o direito de manifestação e disse que a polícia protege os protestos. "Isso é uma tradição que temos em São Paulo." O secretário afirmou que deve haver "equilíbrio" entre os direitos de ir e vir e de manifestar. "São dois valores que estão no mesmo nível, nada é absoluto. O direito de manifestação é sagrado mas temos que conviver com outros." 

Spray de pimenta. Para o coronel Benedito Roberto Meira, comandante geral da Polícia Militar do Estado de São Paulo, houve excesso no caso em que um PM borrifou spray de pimenta a queima roupa nos olhos de um manifestante imobilizado. "Naquele momento em que o manifestante estava desarmado e imobilizado, a utilização do gás (de pimenta) não era necessária. Para isso serve o Inquérito Policial Militar", afirmou. 

Meira disse que o policial que aparece nas imagens segurando o manifestante pelo pescoço é um capitão da PM. O oficial comandava a operação durante o protesto na estação da Tatuapé e, de acordo com o comandante, será chamado para prestar depoimento durante as investigações. O capitão também terá que justificar o uso das armas não letais no protesto. 

Assim como o secretário, Meira também aprovou a ação da PM. "Eu não entendo como o black bloc e esse bando de manifestantes, esses criminosos, colocam fogo ao lado de um posto de gasolina. O que me deixou mais tranquilo como comandante da PM, é o fato de a polícia ser aplaudida." Para Meira, os manifestantes que "querem mudar o mundo" podem fazer isso no dia 4 de outubro, durante as eleições. 

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