PM à paisana mata ladrão na Pamplona

Dois soldados reagiram ontem a uma tentativa de assalto na região da Paulista; é o segundo caso envolvendo policiais em menos de 1 mês

Marcela Spinosa, O Estado de S.Paulo

17 de junho de 2010 | 00h00

Dois policiais militares à paisana mataram ontem Hurleide Neves Miranda Souza, de 21 anos. Segundo os policiais, o jovem tentou roubá-los com um comparsa na esquina das Ruas Pamplona e São Carlos do Pinhal, na Bela Vista. O outro acusado, que dirigia a motocicleta em que os assaltantes estavam, fugiu.

É o segundo caso de pessoas baleadas na Rua Pamplona em menos de um mês. Em 21 de maio, um policial militar, também à paisana, morreu após tentar impedir um assalto na via.

Ontem, os policiais contaram que por volta das 12h20 estavam num Fiat Palio indo almoçar em companhia de um amigo, que não trabalha na corporação, quando foram surpreendidos pelos criminosos no semáforo do cruzamento. Ao lado da janela do motorista, a dupla anunciou o assalto.

"Eles estavam com a arma em punho. Nós nos identificamos como policiais e eles começaram a atirar", afirma um dos policiais, de 37 anos, que há 13 trabalha nas Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) e não quis ser identificado. No banco traseiro, ele revidou, assim como o colega. "Não tinha o que pensar. Ou eram eles ou nós que seríamos feridos."

Souza foi baleado no rosto. Socorrido, ele foi levado ao Hospital Vergueiro, mas não resistiu e morreu. Seu comparsa fugiu. Perto do Palio, a polícia encontrou dois projéteis calibre 38. Os dois estavam deflagrados e pertenciam ao revólver de Souza.

O policial da Rota afirmou ainda que nunca havia sofrido uma tentativa de assalto em São Paulo. Disse que agora sabe qual a sensação de ser vítima. "Não é fácil", afirmou.

Defesa. O delegado titular do 5.º Distrito Policial (no bairro da Aclimação), José Matallo Neto, que cuida do caso, acredita que a dupla queria roubar o carro em que os policiais estavam. "Só que eles não esperavam encontrar PMs à paisana." De acordo com o delegado, os policiais não devem ser indiciados, pois agiram em legítima defesa. O crime foi registrado como tentativa de roubo, seguida de resistência e morte.

Reforço. Em 21 de maio, um PM à paisana foi assassinado com um tiro na cabeça ao tentar impedir uma tentativa de assalto na Pamplona. Matallo afirma que o policiamento na região foi reforçado. "Aumentamos as rondas e o número de policiais não só na área da Pamplona como em todas aquelas ruas em que percebemos ação de criminosos."

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