PM à paisana mata ladrão de relógio e causa pânico na Rua Oscar Freire

Um assalto a um homem que andava pela Rua Oscar Freire, endereço de compras de luxo na zona sul da capital paulista, levou pânico a lojistas e moradores e terminou com a morte do suspeito. O caso aconteceu ontem, pouco depois das 13h. Funcionários e clientes da rua, que estava cheia, se esconderam atrás dos balcões. Outras duas pessoas, que segundo a Polícia Militar faziam escolta ao ladrão, fugiram.

BRUNO RIBEIRO, WILLIAM CARDOSO, O Estado de S.Paulo

05 de maio de 2012 | 03h04

Os tiros contra o assaltante foram disparados por um policial militar à paisana. Ele atirou três vezes contra o suspeito, que tinha duas armas de brinquedo. A Polícia Civil não confirmou que o policial fazia segurança para uma das lojas - informação repassada por alguns comerciários da rua. Informalmente, ele disse apenas que aguardava sua mulher, enquanto ela fazia compras na Oscar Freire, quando viu o crime em andamento e agiu para defender a vítima.

Quatro horas após os tiros, os comerciantes da rua ainda estavam assustados. "O que pega aqui é Rolex. Sempre tem gente falando de assalto na rua", disse a funcionária de uma banca de jornal instalada perto do local do crime. "Eu ouvi os tiros e achei que fosse alguma moto. Mas aí muitas pessoas passaram correndo na rua e as meninas (da loja) gritaram 'Entra que é assalto!' e eu me escondi", relatou a funcionária de outra loja.

O médico Ricardo Bueno, de 32 anos, morador da rua, disse que, logo após os tiros, o local ficou repleto de policiais: cinco viaturas, além de unidades de motocicleta. "No ano passado já tinha acontecido um tiroteio aqui", relatou. A calçada onde o assaltante foi baleado - ele chegou a ser levado para o Hospital das Clínicas, onde morreu - ficou com manchas de sangue até as 16h.

A vítima de ontem é um advogado de 66 anos, que teve seu relógio Cartier, um iPhone e duas pulseiras - uma delas folheada a ouro - levados pelo assaltante, identificado como Clécio de Santana Silva, de 25 anos. O assalto aconteceu na frente do restaurante Bargaço, no quarteirão entre a Avenida Rebouças e a Rua Melo Alves.

O policial disse à Polícia Civil que percebeu o assalto e deu voz de prisão. O ladrão então se virou e teria apontado a arma. O PM alegou que disparou com uma pistola 380 por medo da reação do bandido. Logo depois, ele percebeu que as duas armas de Silva eram falsas, simulacros de um revólver e de uma pistola. Outros seguranças da rua negaram que o policial fizesse "bico" como segurança na rua - prática proibida pela PM.

O assaltante tinha passagens por roubo, era morador de Francisco Morato, na Região Metropolitana, e cumpria regime semiaberto desde janeiro. O caso será investigado pelo Grupo Especializado em Assessoramento a Local de Crime (Geacrim), do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).

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