Plebiscito na Fea-USP decide sobre catracas

Alunos, funcionários e docentes votam se unidade terá roletas e divergem sobre medida

FELIPE TAU , O Estado de S.Paulo

01 de junho de 2012 | 03h20

A Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP) pode ganhar catracas nas entradas do prédio, na Cidade Universitária, zona oeste de São Paulo. A medida, polêmica na comunidade acadêmica, está sendo submetida a um plebiscito desde segunda-feira e a votação se encerra hoje, às 21 horas. O resultado será divulgado no site da faculdade na próxima segunda-feira e vai definir as ações da diretoria.

De acordo com o diretor, o professor Reinaldo Guerreiro, a possibilidade de colocar catracas surgiu em fevereiro de 2011, logo que foi criada a comissão de segurança da unidade. Mas a ideia ganhou força a partir de maio, depois da morte do estudante de Ciências Atuariais Felipe Ramos de Paiva, de 24 anos. Ele foi assassinado no estacionamento da FEA com um tiro na cabeça após uma tentativa de assalto.

Desde então, as discussões sobre a segurança no câmpus se aprofundaram. Especialmente sobre a restrição do acesso a não alunos.

O plebiscito sobre as catracas, solicitado pelo Centro Acadêmico Visconde de Cairu, da FEA, surgiu neste contexto. Podem votar alunos, funcionários e professores.

"Fizemos o plebiscito para que seja uma decisão transparente, porque sabemos que a decisão é sensível", disse o diretor da FEA. "O conceito não é impedir ninguém de entrar. E também não queremos saber o que as pessoas vão fazer aqui dentro. Mas, se for uma pessoa que não pertence à comunidade, vai ter de se identificar", disse.

Para uma das diretoras do Diretório Central dos Estudantes (DCE), Paula Kaufmann, de 20 anos, estudante do 4.º ano de Ciências Sociais, a medida é antidemocrática. "A gente é veemente contra a colocação das catracas. Entendemos que a USP é uma universidade pública e, por isso, o acesso também tem de ser público. Não se pode impedir quem não é aluno de usufruir desse espaço."

Entre os alunos presentes ontem na faculdade, a maioria tinha o mesmo sentimento. "Acho desnecessário, não vai aumentar a segurança. O problema é lá fora, não aqui dentro. A iluminação deveria ser a prioridade", diziam.

Para três funcionários ouvidos, as catracas também não resolvem, já que os roubos e furtos, segundo eles, são feitos, na maioria, pelos próprios estudantes. "O que falta é iluminação, melhorar as condições lá de fora", disse um funcionário, que não quis se identificar. O edital para uma nova iluminação do câmpus foi cancelado por suspeita de direcionamento.

Entre os professores, a maioria era favorável às catracas. "Do ponto de vista da segurança é ótimo. A biblioteca, por exemplo, tem um número muito grande de furtos", disse o professor Edson Castilho, de 70 anos, que dá aula de contabilidade na FEA desde 1965.

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