JB Neto/AE
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Playcenter fecha as portas em clima de nostalgia

Após 39 anos de funcionamento, parque tira de cena brinquedos radicais como Splash e Barca Viking; em 2013, área será infantil

Caio do Valle, O Estado de S.Paulo

30 Julho 2012 | 03h03

Fortes emoções embalaram nesse domingo, 29, o Playcenter, na Barra Funda, zona oeste. Além da adrenalina descarregada pelas montanhas-russas e dos sustos provocados pelos monstros, houve lágrimas e suspiros. No último dia de vida do parque de 39 anos de idade, fãs e funcionários já partilhavam da nostalgia que as atrações deixam para trás. Embora o espaço vá reabrir em 2013, sua essência será basicamente infantil.

Significa dizer que brinquedos clássicos, como Looping Star, Splash, Barca Viking, Turbo Drop e Skycoaster, mais radicais, saem definitivamente do horizonte da Marginal do Tietê para entrar na história da cidade. Esses equipamentos marcaram gerações não só de paulistanos, mas de gente que viajava à capital apenas para usufruir deles.

Era o caso do agente de turismo Diogo Lucas de Oliveira, de 29 anos. Morador em Pirassununga, a 213 km de São Paulo, conta que se apaixonou pelo parque em 1993, quando o conheceu. "Foi amor à primeira vista. É com grande aperto no coração que estou vindo no último dia." Colecionador de artefatos relacionados ao Playcenter, Oliveira carregava ontem uma sacola pelo local. Nela, estavam guardadas fotos de brinquedos desativados há muito tempo, como o Super Jet e o teleférico. Também havia cartazes e antigos passaportes da alegria - como eram chamados os ingressos.

A autônoma Ingrid Alves Benz, de 44 anos, estava inconsolável. Chegou a ter de ser atendida no ambulatório. Não é para menos. Conhecida como "mãe do Playcenter", afirma ter frequentado o espaço todos os anos desde sua abertura, em 1973. "Isso é um marco histórico de São Paulo. Sempre fui feliz aqui."

Como prova de amor, ela já começou a organizar um abaixo-assinado com a intenção de tombar a área, para que nada diferente seja construído ali. Já conseguiu mais de mil assinaturas. O Playcenter informou que o novo parque, voltado para "pais e filhos", terá investimento de R$ 40 milhões.

Responsável por organizar as fanfarras do Playcenter por 33 anos, a musicista Vanda Giancola Lago, de 72 anos, lacrimejava ao recordar sua trajetória. "Vi minha filha e meus netos crescerem aqui." Ontem, o parque recebeu 8 mil visitantes. Grande parte era de famílias com crianças e idosos.

A última volta. Girou pela última vez às 19h15 um dos brinquedos mais famosos do Playcenter, o Evolution. O estudante Felipe Alves, de 18 anos, de São Vicente, foi a última pessoa a se sentar na máquina. "Estou emocionado! Por que tem de fechar o parque, hein?"

Um livro sobre a história do Playcenter deve ser lançado em 12 de outubro, Dia da Criança. Personagens ilustres como Mauricio de Sousa e Zé do Caixão devem escrever depoimentos.

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