Playcenter anuncia fim, e mercado já disputa terreno

Símbolo de SP, parque encerra atividades em julho e voltará renovado para público infantil em 2013; área ociosa vira alvo de três projetos

O Estado de S.Paulo

20 Março 2012 | 03h01

Há quase 40 anos como o maior e mais conhecido parque de diversões da capital paulista, o Playcenter vai fechar as portas em 29 de julho. O empreendimento sofria há anos com a queda no número de frequentadores, o alto preço dos quase 20 contratos de locação do terreno e a repercussão negativa de acidentes.

Na área, o próprio grupo Playcenter promete construir um espaço menor, voltado para crianças pequenas. A mudança no parque foi revelada ontem pelo jornal Folha de S. Paulo.

O novo empreendimento vai ocupar algo em torno de um terço do espaço atual - nos cerca de 25 mil metros quadrados que ficarão ociosos, já há projetos de empresas interessadas para erguer um condomínio de prédios, um conjunto de edifícios comerciais ou até um shopping.

Inaugurado originalmente em 1971 na Avenida Brigadeiro Luís Antonio, na frente do Ginásio do Ibirapuera, o Playcenter abriu suas portas dois anos depois na Marginal do Tietê. Cerca de 60 milhões de visitantes já passaram pelo local. Os momentos históricos incluem o lançamento do filme King Kong, em 1977, com a presença da atriz Jessica Lange, e o show dos Menudos em 1984, além do dia que Michael Jackson brincou sozinho no parque, em 1993. A crise do Playcenter, no entanto, se acentuou nos anos 2000, quando o Ebtida (lucro antes de juros, investimentos, depreciações e amortizações) caiu de R$ 12 milhões para R$ 2 milhões. Em 2003, por exemplo, houve um dia no qual o Playcenter registrou 30 visitantes - a capacidade é para 15 mil pessoas.

Para crianças. Em 2004, houve atrasos de aluguel e funcionários foram demitidos. O parque chegou até a devolver 12% de sua área para evitar uma ação de despejo. Para tentar atrair um novo público e fechar as contas, o grupo Playcenter planeja agora gastar R$ 40 milhões entre pesquisas, projetos, instalações, atrações e marketing para criar um novo parque temático infantil, nos mesmos moldes do extinto Parque da Mônica (Shopping Eldorado) ou de parques estrangeiros como o Legoland ou o parque de Asterix na França.

A capacidade máxima será de 4.500 pessoas por dia e a inauguração está prevista para julho de 2013. Para ajudar no investimento inicial, os brinquedos radicais e famosos do Playcenter, como o Boomerang, o Turbo Drop e o Looping Star, serão vendidos.

O Estado apurou que já há três grandes interessados nos cerca de 25 mil metros quadrados que ficarão ociosos com o fechamento do Playcenter - a área pode valer mais de R$ 110 milhões. A proposta mais avançada é de uma incorporadora que tem projeto para um conjunto de prédios residenciais de alto padrão, mas ainda há receio de diretores da empresa para investir em um megaempreendimento que ficaria à beira da Marginal do Tietê, uma região onde não há hoje projetos similares. Outro entrave apontado pelos diretores da incorporadora é a legislação municipal, que pode obrigar a construção de apartamentos de habitação social no terreno.

Há ainda projeto para um conjunto de torres comerciais, uma vez que a demanda para escritórios é cada vez mais alta na região. O terceiro projeto imobiliário une prédios com um shopping center, nos moldes do Shopping Cidade Jardim, na zona sul, mas para um público de classe média e média alta. Esse complexo ainda poderia ter hotel, centro cultural, teatro, cinemas, lojas e restaurantes. Com o anúncio do fim do Playcenter, no entanto, os donos do terreno já esperam que novas propostas apareçam.

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