Playcenter agora vai passar por fiscalização

Após o segundo acidente em seis meses, o Playcenter deve passar por um pente-fino. O objetivo da Polícia Civil e do Ministério Público é saber se a manutenção dos 35 brinquedos do parque da zona oeste da capital ocorre adequadamente. O Double Shock, no qual oito pessoas se feriram no domingo, foi lacrado. Até ontem, três vítimas seguiam internadas no Hospital Metropolitano, sem previsão de alta.

Elvis Pereira e Tiago Dantas, O Estado de S.Paulo

05 de abril de 2011 | 00h00

Funcionários do Playcenter confirmaram ontem à polícia que o equipamento apresentou uma pane três horas antes do acidente, conforme haviam relatado frequentadores do parque à reportagem. "O painel do brinquedo acendeu uma luz como se tivesse tido uma anormalidade, às 14h30. Não se sabe o que é", afirmou o delegado titular do 23.º Distrito Policial (Perdizes), Marco Aurélio Batista. "O brinquedo foi parado, foi chamado um técnico e, depois de vistoria, voltou a funcionar."

Anteontem, a reportagem do Estado havia questionado se o brinquedo Double Shock havia sofrido interrupções para manutenção técnica - como relatado por pessoas que estiveram no parque. A resposta do parque foi: "Não. O Double Shock funcionou normalmente até o ocorrido." A assessoria explicou que todas as paradas preventivas são registradas em um relatório interno de ocorrências do parque. "No dia 3 de abril não há nenhum registro de parada no Double Shock", diz o texto.

Ontem, o Instituto de Criminalística (IC) iniciou a perícia no brinquedo. O Playcenter adiantou, em nota, que nas simulações realizadas na segunda-feira "não foram constatadas irregularidades no Double Shock em travas, sistema de bloqueios, sinalização ou qualquer dispositivo".

Dois dos funcionários eram responsáveis por verificar as três travas do equipamento; o terceiro ficava na cabine de controle. Duas das travas são eletrônicas e a última, manual. "A trava tem alguns dispositivos de segurança e não poderia ter aberto", continuou o delegado.

Falta de habilidade dos funcionários que operam o brinquedo, imprudência dos passageiros ou negligência do parque na manutenção do equipamento são algumas causas que podem explicar o acidente, na opinião de peritos do IC. "Em um caso como este, não tem como fugir muito disso: imperícia, imprudência ou negligência. Vamos fazer mais testes. O brinquedo deve ficar interditado até que tenhamos descoberto o motivo", disse o perito do IC, o engenheiro José Manuel Dias Alves. A montanha-russa Looping Star está fechada desde setembro, quando 16 pessoas se feriram na colisão de dois dos carrinhos.

Prefeitura. A Secretaria Municipal de Controle Urbano informou que o brinquedo não poderá funcionar "até que a perícia faça as devidas inspeções e conclua seus trabalhos". A secretaria comunicou, também, que o Playcenter precisa apresentar laudos técnicos que comprovem a segurança do equipamento - para que seja liberado.

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