Hélvio Romero/AE
Hélvio Romero/AE

Plantio cresceu, mas centro é carente

SP ganhou 541 mil árvores em 2010, mas maioria da vegetação está nas extremidades

Felipe Frazão, O Estado de S.Paulo

23 de abril de 2011 | 00h00

Com o Programa de Arborização Urbana, lançado em 2005, a Prefeitura de São Paulo tomou o trabalho de contratação de equipes de plantio e recuperação, antes de responsabilidade das subprefeituras. Desde então, segundo a Secretaria do Verde e do Meio Ambiente, o plantio passou de 38.855 árvores em 2005 para 541.043 no ano passado. Mas os especialistas alertam que não basta plantar aleatoriamente: é preciso um plano que privilegie a mancha urbana e ligue áreas remanescentes de mata nativa.

Para Cecília Herzog, presidente do Instituto de Pesquisas em Infraestrutura Verde e Ecologia Urbana (Inverde), é essencial um manejo preventivo contra a desarborização. "Tem de existir um plano de substituição das árvores. Se numa rua elas estão prestes a morrer, deve-se procurar outros pontos de plantio para novas árvores."

"Parece que fazer avenidas e piscinões é sempre mais importante. A vegetação é tão importante quanto", diz Paulo Pellegrino, do Lab-Verde da USP. "A cidade perdeu vegetação. As árvores foram substituídas por espécies de pequeno porte."

O presidente da Sociedade Brasileira de Arborização Urbana (SBAU), José Ricardo Martins da Silva, diz que as prefeituras têm de manter um corpo técnico preparado para manter as árvores urbanas, com podas frequentes. É um custo alto, mas "um investimento positivo."

Mapa. Segundo o Atlas Ambiental de São Paulo, de 2002, 48% da área da cidade é "carente em arborização e áreas verdes". A Secretaria do Verde e do Meio Ambiente afirma que 40% do território de São Paulo é coberto por vegetação. No entanto, grande parte está nos extremos do município, como em Parelheiros e Marsilac, na zona sul, e na Serra da Cantareira, na zona norte. Para os especialistas, o ideal seria que 30% da malha urbana tivesse cobertura de copas de árvores.

A secretaria informa que criou um grupo de trabalho para análise, estudo e a criação do programa de arborização dos corredores de veículos, para diminuir a poluição sonora. Nos distritos Sé e República está em andamento um levantamento do equipamento viário, parte do Programa de Reabilitação da Área Central da Cidade (Procentro). As vias que forem identificadas como mais carentes de cobertura vegetal vão entrar no Plano de Arborização Urbana.  

  

TRÊS PERGUNTAS PARA...

José Ricardo Martins da Silva, PRESIDENTE DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE ARBORIZAÇÃO URBANA

1.Por que faltam áreas verdes nas metrópoles brasileiras?

As cidades não são o meio natural do desenvolvimento de árvores. Não é em todo lugar que há condições de plantar árvores, por conta do porte da árvore em relação ao espaço físico, da largura das calçadas, interferência das redes elétricas, e edificações construídas sem recuo.

2. A arborização urbana consegue fazer a manutenção da biodiversidade dentro das cidades?

Consegue se você tem áreas com maior expressividade recompostas com vegetação nativa - parques, reservas, a chamada floresta urbana. Há espaços para pássaros e até para pequenos mamíferos, como marsupiais, micos, preguiças e saguis.

3. Como a arborização em calçadas e vias de locomoção afeta a população urbana?

O benefício maior é a amplitude térmica. Há uma diferença de temperatura de 8°C ou mais. As árvores podem reduzir a poluição atmosférica e há a beleza cênica. O verde é repousante, tranquilizante, faz bem psicologicamente ao ser humano.

 

 

 

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