Plano viário não sai do papel na Água Branca

Quinze anos depois do lançamento da operação urbana na região, bairros sofrem com engarrafamentos, enchentes e falta de áreas verdes

Diego Zanchetta, O Estado de S.Paulo

06 de maio de 2010 | 00h00

Criada em 1995 numa região às margens da orla ferroviária, a Operação Urbana Água Branca cumpriu a meta de adensar os espaços vazios do eixo Pompeia-Perdizes-Barra Funda. Nesses 15 anos, duas dezenas de empreendimentos ocuparam o lugar de galpões e de terrenos ociosos. O plano para remodelar o sistema viário desses bairros, porém, também previsto na operação, nunca saiu do papel.

Esse modelo, chamado de outorga onerosa, quando o empreendedor paga para construir acima do permitido pela lei de zoneamento, também é planejado nas operações urbanas Lapa-Brás, Mooca-Vila Carioca e Jacu-Pêssego, cujo detalhamento dos planos, como obras viárias, será divulgado hoje pela Prefeitura.

Na Água Branca, contudo, a chegada do Shopping Bourbon, do Hipermercado Sondas e de 17 torres residenciais não foi acompanhada de intervenções para reduzir o impacto no tráfego de veículos. Resultado: o trânsito nas Avenidas Pompeia e Francisco Matarazzo se tornou caótico e o problema das enchentes na região se agrava a cada ano. Ao todo, os construtores pagaram à Prefeitura R$ 80 milhões em outorgas, que deveriam ser investidos em melhorias no bairro.

"Com os novos empreendimentos, veio o trânsito, as enchentes ficaram ainda piores e todo o dinheiro que deveria ser aplicado na criação de áreas verdes e de melhorias viárias, como diz a lei da operação, segue no caixa do governo", critica Maria Antonieta Lima e Silva, presidente da Associação Amigos de Vila Pompeia.

Nos 15 anos da operação, ela participou de mais de 80 reuniões com representantes da Empresa Municipal de Urbanização (Emurb) e da Prefeitura para discutir as obras para o bairro.

Apesar do adensamento populacional e de serviços, a região da Pompeia, reclamam moradores, não recebeu nenhuma nova área verde. A Operação Urbana previa uma praça com área verde entre o Parque da Água Branca e o Terminal Barra Funda.

Polo de trânsito. Nas novas operações urbanas, o prefeito Gilberto Kassab (DEM) afirma que vai garantir que a construção de novos prédios será sempre "casada" com as melhorias urbanísticas. A diferença hoje, segundo Kassab, é a nova lei dos polos geradores de tráfego, que deve ser sancionada hoje e obriga o empreendedor a investir até 5% do valor de sua obra no trânsito, independentemente do pagamento de outorga onerosa.

OBRAS PENDENTES

Praça entre o Pq. da Água Branca e o Ter. Barra Funda

Praça do Memorial da América Latina (saída sul do Terminal da Barra Funda)

Ligação entre as Avenidas Fco. Matarazzo e Dr. Auro Soares de Moura Andrade

Extensão da Rua D. Germaine Burchard e alargamento dos passeios e reformulação da Rua Tagipuru

Alargamento passeios e reformulação paisagística da Av. Dr. Auro Soares de Moura Andrade e da Rua Joaquim Ferreira

Reconfiguração da rotatória, alargamento dos passeios e paisagismo do entroncamento das Ruas Tagipuru, Adolpho Pinto e Dr. Fuad Nautel

Alargamento da Rua Pedro Machado e construção de vias laterais e retorno sob o Viaduto Pompeia

Realinhamento das R. Carlos Vicari e Menfis e Av. Sta. Marina

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