Plano previa grande parque na paulista

Projeto concebido pelo conselheiro Antonio Prado, primeiro prefeito de São Paulo, esbarrou no mercado imobiliário

O Estado de S.Paulo

25 Janeiro 2013 | 02h15

Primeiro prefeito da cidade desde que o cargo foi criado em definitivo, em 1899, o conselheiro Antonio Prado governou a capital por 12 anos e planejou várias melhorias, como a iluminação elétrica e o Teatro Municipal. Um de seus principais projetos, porém, jamais chegou a sair do papel: a construção de um enorme parque de 1,3 km² na região da Avenida Paulista.

Quem conta é a especialista em Arte e Arquitetura Maria Cecilia Naclério Homem, que foi esposa de um dos sobrinhos-neto do ex-prefeito, o historiador Caio Prado Júnior. Segundo ela, a ideia era preservar a vegetação da encosta do espigão da Avenida Paulista voltada para o lado de Pinheiros, onde hoje ficam os Jardins América e Paulista.

A região tinha uma reserva de Mata Atlântica conhecida como Mata do Caaguaçu. Apenas uma pequena parte dela - 3,7% - continuou preservada no Parque Tenente Siqueira Campos (Trianon), na frente do Masp. Quase todo o resto foi loteado ainda na virada do século 19 para o 20.

"O conselheiro tinha esse plano, de transformar tudo aquilo em um grande parque. Mas a especulação imobiliária, que já era acentuada, não permitiu que ele conseguisse prosseguir", afirma Maria Cecília. Por causa das resistências, o projeto não chegou a ser apreciado na Câmara Municipal. "Hoje você vai para Buenos Aires ou Santiago e vê parques imensos no meio da cidade. São Paulo perdeu sua chance histórica."

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