Plano prevê duplicar Raposo até Cotia

Obra de R$ 1,5 bi seria bancada por empresa, em troca de ampliação do tempo de concessão; canteiro central teria monotrilho suspenso

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

07 de setembro de 2011 | 00h00

SOROCABA

Seis pistas de cada lado, o dobro do número atual, e sobre o canteiro central trens rápidos em um monotrilho suspenso. No lugar de cabines de pedágio, sensores que cobram tarifa conforme a distância percorrida. Ao custo de R$ 1,5 bilhão, esse é o projeto em estudo pela Agência Reguladora de Transportes (Artesp) para resolver o gargalo mais problemático da Rodovia Raposo Tavares (SP-270), os 20 km do trecho de São Paulo a Cotia.

A proposta foi apresentada ao Estado pela CCR, empresa com nove concessões de estradas, incluindo as do Rodoanel e dos Sistemas Castelo-Raposo e Anhanguera-Bandeirantes. O governo considera a proposta a mais viável hoje e até a enviou para análise da Artesp, só que há dúvidas quanto ao pedágio. O trecho SP-Cotia não entrou no programa de concessões e continua sob a administração do Departamento de Estradas de Rodagem (DER). Para bancar o investimento, a CCR pretende ampliar em dez anos a concessão da rodovia, que termina em 2023.

Líderes políticos de Cotia, em reunião na Granja Viana, já foram informados do plano. Os representantes da empresa destacam que a proposta inclui a integração da rodovia com a Marginal do Pinheiros, em passagem de nível e por meio de um túnel semelhante ao que liga a Avenida Rebouças à Eusébio Matoso.

O estudo da CCR não detalha o monotrilho. Mas as associações de moradores encomendaram um estudo específico e encaminharam à Secretaria de Logística e Transportes por considerar que a ampliação da estrutura rodoviária deverá ser acompanhada de maior oferta de transporte coletivo. De acordo com o estudo, o monotrilho tem menor capacidade de transporte de passageiros, mas custa bem menos que o metrô. Enquanto o metrô custa de R$ 160 milhões a R$ 380 milhões por km, o monotrilho tem custo entre R$ 70 milhões e R$ 130 milhões.

Entrave. A ideia é que a cobrança de pedágio seja eletrônica, com sensores do km 11 ao km 34. Os motoristas pagariam de R$ 0,15 a R$ 0,20 por km apenas no trecho percorrido, conforme sistema em estudo pela Artesp. A alternativa é a instalação de pedágios - 68 cabines no eixo da rodovia e outras 32 em acessos. Mas aí o projeto já esbarra na resistência do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), à criação de pedágios.

Usuários cotidianos também criticam essa possibilidade, como o empresário paulistano Miguel Pedroso, que tem negócios em Vargem Grande Paulista. "Já pagamos muito pedágio. A Marginal do Tietê, por exemplo, ganhou novas pistas, mas nem por isso foi pedagiada."

Enquanto não há solução definitiva, o DER investirá R$ 81 milhões no trecho, em recapeamento da pista e das alças de acesso e retificação de quatro curvas (km 11,6, km 11,8, km 16,8 e km 21,25). Além disso, a ponte sobre o Rio Cotia será alargada. O edital de licitação sairá até o dia 30.

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