Plano emergencial tenta evitar apagões

Objetivo é antecipar inauguração da Subestação Piratininga 2, que aliviará a sobrecarga da unidade onde pane ocorreu na terça-feira

Eduardo Reina e Wladimir D'Andrade, O Estado de S.Paulo

10 Fevereiro 2011 | 00h00

Um acordo fechado ontem entre o governo estadual, as concessionárias de energia elétrica e o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) prevê ações emergenciais para evitar apagões como o que atingiu a capital na terça-feira. Uma delas é a antecipação do início da operação da Subestação Piratininga 2 para novembro, em vez de fevereiro de 2012. Sem ela, a Região Metropolitana de SP corre o risco de sofrer novos blecautes.

Essa nova central em Interlagos, zona sul de São Paulo, tiraria a sobrecarga da Subestação Bandeirantes, que falhou anteontem. Além de São Paulo, outras três cidades da Região Metropolitana foram atingidas pelo apagão, que prejudicou, no total, 2,5 milhões de pessoas.

O acordo prevê ainda o aumento da geração de energia da Subestação Piratininga, operada pela Empresa Metropolitana de Água e Energia (EMAE), e a análise técnica de viabilidade de instalação de um quarto transformador na Subestação Bandeirantes, na zona sul. Hoje são três. Também será feita a revisão do sistema de proteção da central Bandeirantes.

As medidas foram definidas em reunião entre a Secretaria Estadual de Energia, a Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista (Cteep), a AES Eletropaulo, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e a Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo (Arsesp).

O secretário estadual de Energia, José Aníbal, disse que o governo aumentou ontem a capacidade de geração da energia da Termoelétrica Piratininga, perto da Represa Billings, em 100 megawatts, e que esse esforço pode chegar a até 200 megawatts. "Isso nos dá uma boa margem de segurança para qualquer outra eventual ocorrência."

Aníbal admitiu ainda que a Subestação Bandeirantes opera em situação de forte pressão. "Com o calor e vários aparelhos funcionando nas casas, a carga do Bandeirantes não chega ao limite, mas próximo", explicou. O secretário não descartou, no entanto, a possibilidade de haver novos apagões, embora as ações, segundo ele, "reduzam fortemente as chances de novas ocorrências".

Multa. Ontem, a Fundação Procon notificou a AES Eletropaulo por causa do último apagão. A concessionária tem até dia 24 para explicar as últimas ocorrências, sob pena de multa de R$ 6 milhões. É a terceira vez que o Procon apura interrupção no fornecimento de energia elétrica na Região Metropolitana. Em março de 2010, a AES Eletropaulo foi autuada por causa de mais de 600 ocorrências na capital. Recebeu multa de R$ 2,8 milhões. Desde novembro, foram mais de 15.

De acordo com Carlos Oscarelli, assessor chefe do Procon, há grandes riscos de novas falhas que levarão a novos apagões. "Existe uma obra em andamento, que é uma nova subestação (Piratininga 2). O Procon vai monitorar, porque há grande risco de novas ocorrências."

Nos três primeiros meses de 2010, 27,2% das regiões atendidas pela Eletropaulo na Grande São Paulo registraram aumento do número de horas sem energia elétrica em comparação com a média padrão - que atingiu 1,4 milhão de consumidores ou 5,6 milhões de pessoas. A AES Eletropaulo alega que o problema no último verão foi potencializado pelas constantes tempestades que derrubaram galhos e árvores sobre a fiação, provocando o desligamentos do sistema.

TRÊS PERGUNTAS PARA...

Reinaldo Lopes, PROFESSOR DE ENGENHARIA ELÉTRICA DA FEI

1.Basta chover um pouco mais forte que a energia elétrica é desligada em vários pontos de São Paulo. Por que?

A companhia que tem a concessão herdou os equipamentos da antiga Eletropaulo, com muito tempo de uso. A substituição de equipamentos com mais de 30 anos vem sendo feita lentamente, aos poucos. Tanto que o defeito mais comum é nos relês de proteção de parte dos circuitos. Esses apagões são causados por uma soma de motivos: vento, chuva, galhos de árvores, equipamentos velhos, falta de manutenção correta e preventiva.

2. O que é preciso fazer com esses equipamentos?

Manutenção é despesa para empresas que visam o lucro. É preciso atualizar os equipamentos existentes e ampliar a rede.

3. A rede aérea de fios nas ruas da cidade é um problema que não tem solução?

A rede aérea sempre está propensa a ter problemas. É chuva, umidade, galhos. As empresas precisam investir mais na poda de árvores. Mas, se a rede fosse enterrada, melhoraria muito. Entretanto, fazer o enterramento custa muito.

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