Plano Diretor prevê desativação gradual do Minhocão

Plano Diretor prevê desativação gradual do Minhocão

Mas, para isso, é preciso aprovar lei específica sobre o tema

O Estado de S. Paulo

27 Novembro 2014 | 19h14

O Plano Diretor Estratégico (PDE), em vigor desde agosto deste ano, estabelece que o trânsito no Minhocão deve ser desativado aos poucos. Porém, para que isso ocorra, é necessário aprovar uma lei específica a respeito do tema. O projeto de lei 10/2014, apresentado pelos vereadores Aurélio Nomura (PSDB), George Hato (PMDB), Nabil Bonduki (PT), Gilberto Natalini (PV), Goulart (PSD), José Police Neto (PSD), Ricardo Young (PPS) e Toninho Vespoli (PSOL), teve a primeira audiência pública no início de setembro.


Na época, não houve consenso. Parte dos moradores do entorno quer um parque, outros, a demolição completa do Minhocão, que foi aberto para o tráfego em 1970. Há urbanistas ainda que preveem um grande aumento no preço do metro quadrado da região central se o Minhocão for derrubado, o que pode levar à expulsão de boa parte dos moradores mais pobres da área. Para evitar a especulação imobiliária, defendem, seria preciso criar travas à elevação dos preços dos aluguéis.

O Minhocão foi idealizado pelo arquiteto Luiz Carlos Gomes Cardim Sangirardi, do Departamento de Urbanismo da Prefeitura. Em sua proposta, apresentada em 1968 ao prefeito Faria Lima, a estrutura elevada seguiria até a Praça Marechal Deodoro. O então prefeito recusou o projeto, mas o remeteu à Câmara, reservando a área necessária para a execução da obra, "se outro prefeito se interessasse por ela", noticiava o Estado de 1.º de dezembro de 1970.

Com a posse de Paulo Maluf ao cargo, a ideia renasceu. Dessa vez, propôs-se a extensão do elevado até o Largo Padre Péricles, em Perdizes, na zona oeste. O Estado publicava: "Maluf precisava de uma obra grandiosa ('um circo no centro da cidade', segundo seus assessores) e de rápida execução, para se perpetuar como prefeito da cidade. Com isso, atingia outro objetivo: apagar a imagem de Faria Lima, que teria sempre seu nome associado à construção do metrô, desviando as verbas para a via elevada."

Urbanista e arquiteto da Universidade de São Paulo (USP), Paulo Von Poser considera o fim do Minhocão um "grande foco de transformação na cidade". Ele avalia que a criação de um parque na estrutura elevada tem chance de irradiar uma mudança no pensamento dos paulistanos. "Transformar em parque algo que fez tanto mal para a cidade durante 40 anos, construído de forma autoritária, será uma chance de o morador de São Paulo mostrar que quer e pode construir uma cidade diferente, não voltada para os carros."

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