Plano de ônibus para Rio 2016 já é alterado

Avaliação recente é de que os corredores BRTs precisam chegar mais perto das estações de trem

FELIPE WERNECK / RIO, O Estado de S.Paulo

11 de dezembro de 2012 | 02h06

Um dos maiores projetos de mobilidade do País, com investimentos previstos de R$ 12 bilhões, a ampliação do deficiente sistema de transporte público do Rio para 2016 precisará passar por ajustes. No plano apresentado ao Comitê Olímpico Internacional (COI), o Rio deu prioridade à construção de corredores expressos de ônibus (BRTs), inspirado no modelo de Curitiba. No entanto, a avaliação hoje é de que falta integração com os trens do subúrbio.

A decisão foi tomada em reunião realizada no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em novembro. O encontro teve a participação de representantes do governo, da prefeitura, das concessionárias de transporte do Estado, da Caixa e do Banco Mundial, entre outros. "Para que seja atingido um sistema de transporte de nível mundial, nossa equipe recomendou às autoridades do Estado e do município coordenar aspectos como a integração física dos transportes de massa", diz Arturo Gomez, representante do Banco Mundial na reunião.

Segundo ele, as estações da SuperVia (concessionária do sistema ferroviário) e dos BRTs Transbrasil e Transolímpica precisam ficar mais próximas. "Se possível, as estações dos BRTs poderão ser feitas acima da estação da SuperVia", diz Gomez, citando o caso de Deodoro, na zona oeste da cidade. "Essa é a integração ideal: os passageiros só têm de andar algumas escadas e mudam da SuperVia aos BRTs ou de um BRT para o outro."

A Transbrasil, orçada em R$ 1 bilhão, ligará Deodoro ao Aeroporto Santos Dumont, no centro, passando ao longo das Avenidas Brasil e Presidente Vargas. Será um corredor expresso de 32 quilômetros, com ônibus articulados e faixas segregadas, 4 terminais, 28 estações e 15 passarelas. Segundo a prefeitura, "provavelmente terá a maior demanda entre todos os BRTs já projetados e adotados no mundo". A expectativa oficial é de que sejam atendidos 900 mil passageiros por dia - é mais do que o total de usuários de metrô no Rio (700 mil diariamente). Já a Transolímpica, com 26 quilômetros, ligará Deodoro à Barra, na zona oeste, ao custo de R$ 534 milhões.

Gomez também cita o exemplo de Madureira, na zona norte. "As duas estações (da SuperVia e do BRT Transcarioca) estão muito longe uma da outra. Os passageiros terão dificuldade para caminhar essa longa distancia." Segundo ele, é necessário pensar em sistemas de transporte de massa com ótima integração física, permitindo aos passageiros viajar melhor, otimizar as rotas e considerar o transporte público a opção ideal. "A boa integração física é essencial para o sistema, pois ela aumenta o número de passageiros. A má integração é ruim para todos e, claro, principalmente para os passageiros."

Galeão. O BRT Transcarioca, já contratado por R$ 1,2 bilhão, ligará a Barra da Tijuca ao Aeroporto Internacional, na zona norte, com uma faixa segregada de 39 km de extensão. A estimativa é de que 400 mil pessoas sejam atendidas por dia. Gomez diz que governo e prefeitura concordaram com as sugestões e prometeram "buscar melhorias nos desenhos dos BRTs para atingir uma ótima integração física". O especialista do Banco Mundial avalia que os investimentos para a Olimpíada representam uma "oportunidade única, que beneficiará e aperfeiçoará muito a movimentação atual no centro do Rio". "A região da Central do Brasil se transformará em um 'cluster' de acessibilidade gigante."

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