Daniel Teixeira/AE
Daniel Teixeira/AE

Plano de metas do governo de São Paulo prevê ampliação do metrô

Construção de mais unidades da Fundação Casa e investimentos em segurança estão entre outros projetos para 2015

, O Estado de S.Paulo

31 Julho 2011 | 00h00

O próximo Plano Plurianual (PPA) prevê também para a área dos transportes a conclusão dos projetos atuais, novos corredores de ônibus e alguns "puxadinhos" no Metrô e na CPTM. Além da capital, Guarulhos e a região do ABC serão as mais beneficiadas pelos projetos, se as promessas saírem do papel.

A polêmica Linha 6-Laranja (a da Estação Higienópolis-Pacaembu), por exemplo, vai ganhar uma expansão a partir da Vila Brasilândia, na zona norte. A previsão é de que ela vá até o futuro centro de eventos da Prefeitura em Pirituba e à Rodovia dos Bandeirantes. Na outra ponta, vai até a zona leste, no Jardim Anália Franco e Cidade Líder.

Na CPTM também vai haver expansão do Expresso Leste (Linha 12-Safira), que não vai mais terminar em Calmon Viana e agora vai até Suzano. A expansão na Linha 9-Esmeralda (até Varginha) já havia sido anunciada.

Outra novidade no PPA é a previsão de um ramal pequeno a partir de Alphaville para se ligar, provavelmente em Barueri, à Linha 8-Diamante da CPTM. Para a região do ABC, o governo planeja tirar do papel o monotrilho ligando a estação do Tamanduateí da CPTM até o bairro do Alvarenga, em São Bernardo do Campo. A região também vai ganhar um trem expresso partindo da Luz, com seis paradas, e ainda está nos planos um metrô leve entre o ABC e Guarulhos.

Os planos preveem para o segundo maior município do Estado o chamado Trem de Guarulhos, que vai do Brás até a região do Parque Cecap (já em Guarulhos), onde deve ocorrer uma ampliação até Cumbica. O corredor Guarulhos-Tucuruvi está novamente no PPA, mas a promessa é tão antiga que muitos duvidam de que vá sair.

Perito deve apurar 1 crime/ dia

Na área de segurança, o objetivo é priorizar a investigação. Para aumentar o número de homicídios e roubos elucidados, a Secretaria da Segurança Pública estima que seja necessário multiplicar por dois o número de peritos da Polícia Científica, responsáveis pela elaboração de laudos de perícia nos casos investigados. Atualmente, segundo dados preliminares do novo PPA, cada perito tem, em média, 2,34 casos para trabalhar em um dia.

A meta é que esse índice caia para 1 caso por dia até 2015. "Falta perícia para tudo, desde furto em residência até roubos de carro", diz o especialista em segurança pública Guaracy Mingardi, que vê com bons olhos a iniciativa da pasta. "Outro ponto importante é a digitalização do sistema de coleta de digitais. É algo que está sendo feito, mas a passos de tartaruga", afirmou.

Outro destaque da secretaria é a tentativa de finalizar 37 presídios no interior do Estado, necessários para desafogar as carceragens nas delegacias e ajudar a cobrir o déficit de 68 mil vagas no sistema prisional paulista. O PPA anterior, do período 2007-2011, já prometia construir 20 unidades, mas apenas 12 devem sair do papel até o fim do ano - grande parte das dificuldades foi imposta pelos municípios, que costumam recusar as penitenciárias previstas pelo governo do Estado.

Metas mais ambiciosas foram postas para o Corpo de Bombeiros. O plano prevê que as atividades preventivas contra incêndios, como projetos de segurança, vistorias e consultas técnicas, quadrupliquem no período. As intervenções operacionais de emergência devem crescer na mesma proporção - de 497 mil para 2 milhões por ano até 2015. O maior desafio, porém, é aumentar o número de homens: são apenas 9.824 para todo o Estado de São Paulo.

Fundação Casa: 180 unidades

O planejamento da Secretaria Estadual da Justiça e da Defesa da Cidadania prevê que 180 unidades de internação da Fundação Casa estejam em funcionamento até 2015. Hoje, segundo a fundação, já há 138 prédios que internam jovens no Estado.

A projeção consolida o modelo de descentralização dessas unidades, iniciado na década passado no Estado. Recomendada desde o início dos anos 1990 pelo Estatuto da Criança e do Adolescente, a descentralização prevê unidades menores espalhadas pelo Estado e se opõe aos complexos da antiga Febem, que chegaram a concentrar mais de 2 mil internos no mesmo local e se tornaram fontes de rebeliões frequentes até pouco tempo atrás.

A internação, medida socioeducativa mais extrema para adolescentes em conflito com a lei, era aplicada em 2010 para 6,2 mil jovens em São Paulo, segundo levantamento da Secretaria Nacional de Direitos Humanos.

"É preferível uma previsão pessimista, antevendo mais internações de jovens, e ter vaga sobrando a ficar com unidades superlotadas", diz o promotor de Justiça Wilson Tafner, que acompanhou de perto o processo de descentralização na antiga Febem.

O plano da Fundação Casa prevê redução no crescimento de internações. Até 2015, a meta é aumentar em 28% o número de adolescentes internados, contra 33% da projeção feita no Plano Plurianual anterior (2008-2011).

Plano anterior fica incompleto

Além de objetivos novos e ambiciosos, constam também do plano promessas antigas que o último governo não tirou do papel. Um exemplo é a habitação popular. Do total de 80 mil novas moradias previstas no PPA 2008-2011, foram entregues 49 mil até junho deste ano. Mesmo estando ainda distante do objetivo, a meta para o próximo quadriênio é 26% superior e atinge mais de 101 mil unidades.

Na segurança, a promessa repetida são os presídios no interior, que não saíram por pressão dos prefeitos e por problemas nas licitações. Na área dos transportes, o passivo com que se inicia o PPA é de duas linhas de metrô e outras duas da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos. Os paulistanos comemoram atualmente a entrega - que será feita até setembro - da primeira fase da Linha 4-Amarela. Mas o planejamento de 2008 previa que outras duas fases seriam inauguradas neste ano, uma delas a expansão até a Vila Sônia (com outras cinco estações) e a seguinte saindo da capital até Taboão da Serra.

Os outros atrasos foram na Linha 5-Lilás, que seria prolongada do Largo 13 até a Chácara Klabin. As obras já estavam atrasadas, mas no fim do ano passado todo o processo foi paralisado após denúncias de que os vencedores da licitação para o segundo trecho eram conhecidos antes da abertura dos envelopes.

Essas três metas se repetem agora no próximo PPA, assim como a Linha 13-Jade da CPTM, o chamado Trem de Guarulhos. Outra meta prevista anteriormente era o Expresso Aeroporto (entre Luz e Cumbica), que depois foi abandonado pela gestão José Serra (PSDB).

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