Plano de Haddad terá cerca de 100 metas LULA ENTRA NA CAMPANHA PELA EXPO 2020 EM SP

Com metade do número de ações da gestão anterior, programa permite que a população acompanhe se as promessas são cumpridas Ex-presidente falou com delegados de entidade organizadora; oposição diz que há partidarização

ADRIANA FERRAZ, ARTUR RODRIGUES, ADRIANA FERRAZ, ARTUR RODRIGUES, O Estado de S.Paulo

13 Março 2013 | 10h11

O plano de metas do prefeito Fernando Haddad (PT) será mais enxuto que o apresentado por seu antecessor. O objetivo do petista é cumprir cerca de 100 metas nos próximos quatro anos - menos da metade do programa de Gilberto Kassab (PSD), formulado com 223 compromissos. A ordem dada às secretarias é priorizar ações concretas, possíveis de serem colocadas em prática até 2016. A apresentação oficial será feita na última semana deste mês.

A coordenação do programa foi dada à Secretaria Municipal de Planejamento, Orçamento e Gestão, responsável por fazer a triagem das propostas enviadas pelas demais pastas.

O trabalho começou com 300 ideias. Atualmente, já são 139, mas o objetivo é reduzir ainda mais. Haddad não quer exageros para evitar desgate no fim de seu mandato, assim como ocorreu com Kassab, duramente criticado por só cumprir 55,1% de seu plano de metas.

É a segunda vez que um prefeito de São Paulo será obrigado a informar a população o que pretende fazer durante os quatro anos de seu governo. O programa é uma exigência legal, criada em 2008 por meio de uma emenda à Lei Orgânica do Município apresentada pela Rede Nossa São Paulo e outras 570 entidades da sociedade civil.

Promessas. De acordo com a lei, o plano tem de contemplar as promessas de campanha feitas e ser discutido com a população em audiências públicas. A expectativa é de que os encontros sejam temáticos e ocorram em todas as 31 subprefeituras de São Paulo. A isenção da taxa da inspeção veicular, a criação do bilhete único mensal, dos 150 km de corredores de ônibus e da Rede Hora Certa, por exemplo, consumirão parte da pauta de debates.

O plano de Haddad não deve conter muitas surpresas nem metas burocráticas que envolvam ações de interesse apenas dos gestores públicos.

O prefeito quer dar prioridade à execução dos projetos que considera essencial para "colocar a cidade no rumo", como a implementação do Arco do Futuro, iniciativa que visa a decentralizar o desenvolvimento da cidade, levando empregos e moradias para a periferia de São Paulo.

Bairros. Com nova metodologia, o plano de metas da gestão Haddad promete detalhar as propostas por território - demanda pleiteada pela sociedade civil, mas não atendida pelo governo anterior. O objetivo é chegar ao nível do bairro, da forma mais didática possível, com explicações sobre como foram feitas as escolhas das metas e as suas consequências a longo prazo.

Na semana passada, representantes da Rede Nossa São Paulo reuniram-se com funcionários da Prefeitura para conhecer o novo modelo de divulgação.

"A grande preocupação é que o plano de metas seja compreensível para a população", afirmou ontem o coordenador-geral da secretaria executiva da entidade, Maurício Broinizi.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vai ser uma espécie de garoto-propaganda da Prefeitura de São Paulo para convencer outros países do mundo a votar na cidade como sede da Expo 2020. A visita dos delegados ao Escritório Internacional de Exposições (BEI, na sigla em francês) ao Instituto Lula ontem, no Ipiranga, na zona sul, irritou a oposição, que acusou o PT de partidarizar a administração municipal.

"Com a imagem internacional que nós temos do nosso presidente (Lula), nada mais justo que a gente se encontrar com ele para que ele demonstre apoio ao projeto", disse o secretário municipal de Relações Internacionais e Federativas, Leonardo Barchini Rosa.

O secretário afirma que o fato de o ex-presidente ter uma agenda internacional facilitará a ajuda. "Amanhã (hoje) mesmo, ele está indo para a África e a ideia é que nessa agenda internacional ele entre de cabeça para apoiar a candidatura de São Paulo." Questionado se outro ex-presidente, Fernando Henrique Cardoso (PSDB), também participaria da campanha, ele desconversou e respondeu que a visita dos delegados é "apertada".

A reunião de Lula com a delegação foi fechada à imprensa, mas a assessoria do instituto divulgou o conteúdo da explanação dele. "Quero falar para vocês com muita clareza que São Paulo nunca teve um prefeito da qualidade do Fernando Haddad, e ele tem total capacidade de deixar a cidade pronta para a exposição", disse o ex-presidente.

Para o vereador Gilberto Natalini (PV), a participação apenas de um ex-presidente é "tendenciosa". "O PT tem defeito de partidarizar as coisas públicas e isso é um erro grave. Se o Lula vai participar como ex-presidente, o Fernando Henrique deveria também. Ele também foi um grande presidente e teve reconhecimento internacional."

O vereador Andrea Matarazzo (PSDB) afirmou que Haddad "trabalha para o Lula". "Da mesma forma como o Lula convocou reunião na Prefeitura, definiu prioridades, na questão da Expo 2020 ele passa a traçar estratégia. Acho uma pena, porque o prefeito Haddad deveria ter independência."

Após sair do Instituto Lula, Haddad levou a delegação até o Palácio dos Bandeirantes, onde o governador Geraldo Alckmin (PSDB) demonstrou otimismo em relação à candidatura paulistana. Questionado sobre a ausência do ex-presidente tucano, Alckmin afirmou que é importante a participação de todos os "líderes, ex-presidentes". Além de Lula, Pelé aderiu à campanha, assinando camisas para a delegação. Hoje, a comitiva vai a Brasília para se reunir com a presidente Dilma Rousseff.

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