Planalto tentou politizar visita do papa

Governo brasileiro sugeriu que viagem ganhasse caráter de visita de Estado

Jamil Chade / Genebra, O Estado de S.Paulo

13 Julho 2013 | 02h04

O governo brasileiro tentou transformar a viagem do papa Francisco em uma visita de Estado, com destaque para a agenda política do pontífice e uma maior presença do governo no evento que terá repercussão mundial.

O Estado apurou que o Palácio do Planalto enviou um convite à Santa Sé sugerindo que a viagem ganhasse um caráter de visita de Estado. O Vaticano declinou o convite, alegando que a meta do papa é se concentrar na Jornada Mundial da Juventude e dar atenção à mensagem religiosa. "Trata-se de uma visita pastoral", declarou uma fonte no Vaticano.

Na Santa Sé, a visita é considerada como estratégica. Isso porque se trata da primeira saída do papa da Itália, e justamente para um evento em que terá de se comunicar com os jovens, o maior desafio hoje da Igreja.

O próprio papa tem dedicado muitas horas de seus dias em reflexões sobre o que será dito no Rio. Ele viajará com pelo menos três mensagens: uma para os jovens, uma para o Brasil e a América Latina e outra para a comunidade internacional.

O governo justificou o convite alegando que se tratava de uma "gentileza" que o Planalto gostaria de fazer ao papa, reconhecendo a importância de sua visita. Mas, em Brasília, ninguém esconde que o governo está interessado em capitalizar politicamente com a visita.

Estratégia. Mas as ambições políticas do Brasil com o Vaticano vão além da visita do papa. A diplomacia brasileira estaria costurando o estabelecimento de diálogo político permanente com o Vaticano, com a meta de aproximar posições e tomar iniciativas conjuntas nos meios diplomáticos internacionais.

O discurso de combate à pobreza de Francisco e sua insistência em tocar em temas sociais foram recebidos com bons olhos pelo governo brasileiro, que quer aproveitar a oportunidade para ganhar um aliado de peso nos debates internacionais.

A iniciativa de estabelecer um diálogo político com a Santa Sé já havia sido pensada em 2012, e a meta era de que uma comissão bilateral entre a diplomacia do Vaticano e o Itamaraty pudesse se reunir duas vezes por ano. O primeiro encontro chegou a ser marcado, para meados do primeiro semestre de 2013. A renúncia do papa Bento XVI, porém, colocou o projeto em suspenso. Agora, a meta é de que, nos próximos meses, esse mecanismo de consulta bilateral seja relançado.

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