Planalto avalia que Kassab é aliado, mesmo sob fogo cruzado

BASTIDORES: Vera Rosa

O Estado de S.Paulo

18 de janeiro de 2014 | 02h00

As novas denúncias contra Gilberto Kassab não alteram a estratégia traçada pelo Palácio do Planalto e por auxiliares da campanha do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, em relação à aproximação com o ex-prefeito. A equipe do PT acredita que, estando ou não sob fogo cruzado, Kassab é um aliado muito importante para levar a disputa contra o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), para o segundo turno.

O PSD de Kassab também foi o primeiro partido a anunciar apoio à reeleição da presidente Dilma Rousseff e espera ser recompensado agora, na reforma ministerial prevista para fevereiro.

Na terça-feira, Dilma chamou o ex-prefeito para uma conversa reservada, em Brasília, e avisou que pretende prestigiar o PSD, despertando ciúme no PMDB velho de guerra. O objeto do desejo dos dois partidos é a Secretaria dos Portos, com polpudos investimentos previstos para 2014. Atualmente, o PSD controla apenas a Secretaria da Micro e Pequena Empresa, com Guilherme Afif Domingos, o vice de Alckmin brigado com o tucanato.

Na avaliação da cúpula do PT, a entrada de Kassab como candidato à sucessão de Alckmin ajuda Padilha porque evita a vitória do tucano no primeiro turno. O mesmo raciocínio é aplicado para a candidatura do presidente da Fiesp, Paulo Skaf (PMDB), incentivada pelos petistas.

Padilha, Kassab e Skaf combinaram um plano de não agressão entre eles, na primeira etapa da eleição paulista. O foco será Alckmin. A ideia é que qualquer um deles que for para o segundo turno receba o apoio dos derrotados, para enfrentar o PSDB. No plano nacional, interessam a Dilma as articulações de Kassab para a composição dos palanques de apoio a ela nos Estados.

Nesse cenário, os petistas não querem saber se procedem ou não as denúncias de que Kassab teria recebido "verdadeira fortuna" da Controlar, empresa responsável pela inspeção de veículos, como denunciou testemunha ouvida pelo Ministério Público na investigação da máfia do ISS. Todo o cuidado é para não criar mais atrito com o aliado, que nega as acusações e promete recorrer à Justiça.

Quem mais levou "pito" nessa briga, aliás, foi o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), que criou a Controladoria-Geral do Município e promoveu a investigação sobre as operações promovidas pelos fiscais em troca de propina. Depois de atacar Kassab, dizendo que ele quebrou a Prefeitura, Haddad viu entrar em ação a turma do "deixa disso" no PT, com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva à frente.

Agora, o argumento no Planalto é de que o desgaste de Kassab não vem de hoje e, por isso, não cola nem em Dilma nem em Padilha, mesmo porque ele não será vice em nenhuma chapa. A conferir.

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