Placas ‘padrão Fifa’ ficam ‘esquecidas’ nas vias da capital

Sinalização fora do formato brasileiro deveria ter sido removida há 1 mês, mas paulistanos querem permanência dos equipamentos

Caio do Valle, O Estado de S. Paulo

31 Agosto 2014 | 03h00

A Copa do Mundo do Brasil acabou mais de um mês e meio atrás. Mas quem circula pelas ruas da capital paulista convive com a lembrança constante do torneio futebolístico. É que as placas de trânsito feitas especialmente para o evento continuam penduradas sobre vias movimentadas da cidade, como a Marginal do Tietê. O próprio Conselho Nacional de Trânsito (Contran) estabeleceu 31 de julho como prazo final para a retirada dos equipamentos. 

Essa sinalização é bem diferente das placas verdes e azuis convencionais: elas têm fundo branco e, em seu topo, existem desenhos alusivos à comunicação visual criada pela Fédération Internationale de Football Association (Fifa) para a Copa, que ocorreu entre 12 de junho e 13 de julho. São Paulo foi sede de seis jogos do Mundial na Arena Corinthians, em Itaquera, na zona leste, incluindo a abertura.

Por sinal, o estádio corintiano é um dos três locais indicados nas placas especiais. Os outros são os Aeroportos de Congonhas, na zona sul, e de Cumbica, em Guarulhos, na Grande São Paulo. Além de trazer a informação em português, há uma tradução, logo embaixo, para o inglês, em virtude da atração de turistas estrangeiros à cidade por causa das disputas.

Na sexta-feira, a reportagem encontrou 25 dessas placas ainda instaladas nas Marginais do Tietê e do Pinheiros e na Avenida Professor Salim Farah Maluf, zona leste. Boa parte estava posicionada ao lado de outras placas de trânsito. Elas foram instaladas pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), empresa da Prefeitura, que informou ter começado a retirá-las (leia mais nesta página).

Para o presidente da Comissão de Trânsito da seccional paulista da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SP), Maurício Januzzi, essa sinalização deve ser removida. “Não são placas de trânsito, mas de identificação de locais dentro de São Paulo. Mas o Denatran (Departamento Nacional de Trânsito, ao qual o Contran está vinculado) deu autorização para continuar por um período. A lei tem de ser cumprida. Se o próprio poder público não a cumpre, por que então cobraria o cidadão?”

Apego. Entretanto, todos os motoristas ouvidos pelo Estado se mostraram favoráveis à manutenção das placas “padrão Fifa”. “O quê? Gastaram tanto dinheiro para fazê-las e agora vão tirar?”, perguntou o taxista Humberto Paiva, de 70 anos. “Elas ajudam quem não conhece a cidade, porque não são comuns tantas placas indicando os aeroportos.” 

O professor universitário Wilson Ruggiero, de 65 anos, concorda com o fato de que as placas branquinhas não atrapalham. “Acho até que poderiam tê-las feito maiores, para a pessoa bater o olho e já ver.”

Já o médico Sebastião Cesar de Vasconcellos, de 50 anos, explica que essa sinalização passou até a ganhar um caráter nostálgico e afetivo, que remete a um evento esportivo que foi positivo para São Paulo e o Brasil. “É o legado de um evento mundial, além de que conta com essa escrita em inglês, que ajuda os estrangeiros na cidade.”

Em uma resolução de 2013, o Contran estabeleceu que “a sinalização específica” para a Copa do Mundo e a Copa das Confederações “poderá ser implementada e permanecer em vias públicas no período entre 15 de maio de 2013 e 31 de julho de 2014”. O conselho informa que “não poderá conflitar com o restante da sinalização viária”.

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