Pizzaria em Higienópolis é alvo de arrastão

30 clientes foram assaltados por homens armados; restaurante fica a 190m de batalhão

WILLIAM CARDOSO, O Estado de S.Paulo

29 de maio de 2012 | 03h01

Uma quadrilha formada por pelo menos seis ladrões fez no domingo um arrastão na Pizzaria Bráz, uma das mais tradicionais de São Paulo, na Rua Sergipe, em Higienópolis, na região central. O restaurante fica a 190 metros da sede do 7.º Batalhão da Polícia Militar, mas, mesmo assim, os bandidos conseguiram fugir levando dinheiro, joias, bolsas, documentos e cartões.

Pelos menos 30 pessoas jantavam no momento do arrastão. Segundo testemunhas, os criminosos chegaram em dois carros, por volta das 23h30. Eles dominaram dois manobristas e anunciaram o assalto. Os clientes relataram que um dos ladrões apontava a arma enquanto os outros recolhiam objetos de valor.

Pelo menos outro bandido também estava armado. Policiais militares chegaram à pizzaria cerca de um minuto depois de os bandidos fugirem. Uma cliente conseguiu avisar a polícia, enquanto acontecia o assalto.

Em fevereiro, moradores de um prédio da Rua Sergipe, do lado da sede do 7.º BPM, ficaram seis horas sob domínio de bandidos, que também fugiram antes da chegada da polícia.

Segundo a PM, embora próxima, a pizzaria fica em uma quadra de onde não se vê o quartel. Mesmo assim, já está em preparação um plano de prevenção em estabelecimentos do entorno.

Tensão. Os clientes contam que o arrastão não demorou mais do que três minutos. Segundo eles, não houve violência física, mas muita pressão psicológica. O momento de maior tensão aconteceu quando um rapaz tentou esconder a carteira e os bandidos pensaram que ele fosse policial. "Eles começaram a gritar e ficou todo mundo atônito, sem saber o que fazer", afirmou um advogado de 45 anos, de Brasília, que jantava com dois amigos.

O advogado veio a São Paulo a trabalho na sexta-feira e decidiu esticar a estada para aproveitar a vida cultural da cidade. Perdeu cartões, R$ 120 e um relógio. "Só não perdi o celular porque joguei no chão e pisei em cima. Outras pessoas fizeram a mesma coisa."

Segundo ele, a experiência vai mudar a relação com a capital. "Voltarei, mas não tenho mais vontade de ir a restaurante de rua. No máximo, shopping. Também vou sair sem muita coisa, só documento e cartão."

Em nota, a pizzaria afirmou que os sócios acompanharam os clientes no 78.º DP (Jardins), responsável pelo plantão noturno da área. Eles são proprietários também do Pirajá, do Original e da Lanchonete da Cidade - esta foi alvo de arrastão em fevereiro.

A pizzaria disse que tem apenas seguranças de vigilância, e não de enfrentamento, porque acredita que, dessa forma, os clientes ficam menos vulneráveis. A Bráz tem outras duas unidades em São Paulo, duas no Rio e uma em Campinas.

Investigação. Ontem, testemunhas reconheceram por foto um homem suspeito de participar do assalto. Até as 20h, ninguém havia sido preso.

O delegado titular do 4.º DP (Consolação), Luciano Augusto Pires Filho, responsável pela investigação, buscava imagens de câmeras de vigilância na região. Também alertou os colegas de Pinheiros, Itaim-Bibi e Campo Belo para auxiliar na captura da quadrilha.

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