Pizzaria é fechada por ter comida vencida e baratas

Restaurante na zona sul de São Paulo é o mesmo cujos donos haviam sido acusados de racismo por expulsar menino etíope

CAMILA HADDAD, O Estado de S.Paulo

20 de janeiro de 2012 | 03h06

A pizzaria Nonno Paolo, no Paraíso, zona sul de São Paulo, foi parcialmente interditada ontem por ter 100 quilos de comida com o prazo de validade vencido e armazenamento inadequado. O mesmo restaurante é investigado pelo crime de racismo contra um menino de 6 anos nascido na Etiópia.

A blitz organizada pela Polícia Civil e a Coordenadoria de Vigilância em Saúde (Covisa) recolheu os 100 quilos de produtos que incluíam frango, bacon e carne. Segundo a Secretaria Municipal da Saúde, baratas e outros insetos foram encontrados no salão e os agentes da Covisa confirmaram condições de higiene inadequadas no local.

A dona do estabelecimento, identificada apenas como Camila, foi presa mas pagou fiança de R$ 6,2 mil e foi liberada. Na delegacia, a proprietária disse que não tinha conhecimento de como eram guardada a comida.

A reportagem procurou os donos do restaurante por três vezes, mas ninguém foi localizado. No estabelecimento, funcionários disseram que não tinham autorização para se manifestar.

Ontem, a Secretaria Municipal da Saúde informou que duas cozinhas e o depósito para guardar alimentos foram lacrados e só podem reabrir após o restaurante fizer as adaptações necessárias. As áreas de pizzaria e churrascaria, que funcionam no mesmo local, não foram fechadas.

O delegado Virgílio Guerreiro Neto, do Departamento de Polícia e Proteção à Cidadania (DPPC) explicou que o restaurante já era investigado por sua equipe e não houve denúncia. "No caso da proprietária houve crime contra o consumidor, mas na modalidade culposa (sem intenção), por isso foi arbitrada fiança."

Discriminação. O crime de racismo na pizzaria teria ocorrido em dezembro. Um garoto negro de 6 anos teria sido expulso pelos donos do restaurante após ser confundido com um menino de rua. A casa nega a acusação.

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