Codo Meletti| Estadão
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Pizza no almoço? São poucas as casas que devem reabrir em SP nesta segunda-feira

Segundo empresários, horário permitido para funcionamento, das 11h às 17h, não justifica investimento

Bruno Ribeiro, O Estado de S.Paulo

06 de julho de 2020 | 05h00

Mesmo com o caixa vazio após quatro meses de fechamento, só poucas pizzarias que já serviam clientes no horário do almoço devem abrir as portas a partir desta segunda-feira, 6, quando bares e restaurantes foram autorizados a retomar parcialmente em São Paulo.

Por causa de regras do governo João Doria (PSDB), a Prefeitura da capital teve de limitar o horário de funcionamento desses estabelecimento. Elas terão de funcionar das 11 às 17 horas, com um limite de atendimento em 40% da capacidade da casa.

Pizzarias vinham trabalhando com os serviços de delivery, e assim devem continuar, uma vez que, seguindo o faro dos donos das casas, pizza na hora do almoço não é um programa típico do paulistano. 

“Algumas pizzarias de balcão, gente que tem comida rápida em locais de empresas, áreas comerciais, vão abrir. Mas as pizzarias não vão mudar o horário de atendimento para servir o almoço”, diz o vice-presidente da Associação Pizzarias Unidas do Brasil, André Cotta. 

“A epidemia é temporária. Abrir, fazer essa divulgação, não é uma estratégia boa. Você vai demorar muito tempo para ter retorno. Muitas pizzarias já tentaram essa experiência antes da pandemia, alguns acabaram ficando, outros fecharam depois”, afirma. 

Uma das questões, segundo Cotta, é trabalhista: as casas, que contam com delivery, estão trabalhando com funcionários em regime de redução de jornada, seguindo a Medida Provisória 936. “Não tem como a gente abrir no almoço e manter o pessoal para a noite.”

A outra tem a ver com o hábito da cidade. “No Brasil, em São Paulo, pizza é à noite”, afirma o vice-presidente da associação de pizzarias. “Há várias histórias de gente que abriu de dia e não deu certo, fechou. A cultura é comer pizza à noite. 

Dentre os que voltam está a rede Bráz Elétrica, da Cia. Tradicional de Comércio, dona de bares como Pirajá e Astor, além da pizzaria Bráz. “A Elétrica faz almoço e, a partir de amanhã, vai recomeçar. Primeiro, na Rua dos Pinheiros, na zona oeste, que é a primeira e mais conhecida, e dia a dia a gente vai religando as outras na hora do almoço, mesmo sendo um período mais fraco”, diz um dos sócios, Ricardo Garrido.

A rede tinha mesas comunitárias, que precisaram ser adaptadas para cumprir as novas regras sanitárias – distância de 1 metro entre cadeiras e de 2 metros entre as mesas, além de outras medidas. “A capacidade da casa, que já é pequena, está sendo reduzida. No caso da unidade da Rua dos Pinheiros, há um salão em cima que nem vamos abrir”, afirma o sócio. “Depois das 17h, a gente segue só o take-away (a retirada no local).”

Garrido diz que, no caso da marca “mãe”, a Bráz Pizzaria, o delivery cresceu durante a crise, mas ele afirma que seria possível retomar com segurança ao atendimento noturno sem risco de propagar o coronavírus. “Temos um exemplo vivo disso. A gente tem uma Pizzaria Bráz no Rio de Janeiro, no bairro Jardim Botânico. Reabrimos na quinta-feira (quando o comércio foi autorizado pelas autoridades locais)”, afirmou o empresário. “O movimento foi extremamente disciplinado. A casa conseguiu operar de maneira equilibrada, sem problema nenhum no relacionamento com cliente. Todas as questões do protocolo do Rio de Janeiro foram respeitadas à risca.”

O empresário Felipe Zanuto, um dos sócios da casa A Pizza da Mooca, chegou a contratar consultoria externa para ajudar no planejamento da retomada. “Investimos em compras de equipamentos, consultorias com nutricionista, para boas práticas, tomando todos os cuidados possíveis”, afirma. “A gente estava ensaiando como movimentar as mesas na pizzaria e como seria o time, porque a gente não mandou ninguém embora.” Com a decisão do poder público de excluir o horário do jantar da liberação, porém, as duas unidades da pizzaria permanecerão fechadas – ele vai reabrir apenas um outro restaurante do qual é sócio.

A opção de não demitir os funcionários fez com que reservas de caixa fossem usadas para manter a folha de pagamento. A abertura, diz ele, não seria garantia de que as contas fiquem menos incertas. “Mesmo estes 40% (de retorno) não resolvem, só ajudam a aliviar a crise até que os serviços voltem ao normal”, conta.

Para Zanuto, seguindo as regras, não haveria motivo para manter pizzarias fechadas à noite. “Com todas as medidas, distância, funcionários de máscara, seguindo todos os protocolos, é menos risco do que o que eu corro indo ao mercado.” 

Ao mirar os serviços para o delivery, alguns bares e restaurantes passaram a oferecer pizzas. É o caso do Negroni, bar que também funciona em Pinheiros. Na retomada, um dos sócios da casa, Paulo Sousa, diz que o time ainda estuda se vai manter esse produto no cardápio durante o dia.

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