Nilton Fukuda/AE
Nilton Fukuda/AE

Pistola foi presente de vítima à mulher

Matsunaga foi morto com um tiro no lado esquerdo da cabeça. Elize efetuou disparo durante discussão, guardou corpo por 10h e depois o esquartejou

Marcelo Godoy e William Cardoso - O Estado de S. Paulo,

06 de junho de 2012 | 22h30

SÃO PAULO - A pistola usada por Elize Kitano Matsunaga, de 38 anos, no dia do crime foi um presente do próprio marido, o executivo Marcos Kitano Matsunaga, de 42 anos. Ele foi morto com um tiro à queima-roupa no lado esquerdo do crânio durante uma discussão conjugal.

Em princípio, a perícia apontou que a bala encontrada na cabeça do empresário era de uma pistola 765. Mas, nesta quarta-feira, 6, durante o depoimento, Elize disse à polícia que usou a pistola 380, presenteada pelo marido, e contou onde estava. A arma já foi recolhida. O casal praticava aulas de tiro e o empresário era colecionador de armas.

Durante o depoimento, Elize não poupou informações, segundo o diretor do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Jorge Carrasco. "Ela esmiuçou detalhes sobre uma discussão conjugal, que terminou com ela matando o marido", disse Carrasco.

Segundo o delegado, o casal discutiu porque Elize teria descoberto uma traição do marido. Ela teria contratado um detetive para encontrar provas de que o empresário a traía.

Na discussão, Elize alegou ter sido agredida pelo marido. Foi então que ela pegou a arma e disparou contra ele. O tiro foi dado na sala e não foi ouvido pelos vizinhos porque as janelas da cobertura onde moravam são antirruído. Ela limpou o sangue.

O fato de ter encontrado a pistola tão próxima não surpreende a polícia. "Eles espalhavam as armas pela casa com medo de um assalto. Assistiam pela imprensa aos casos de arrastões em prédios de luxo. Espalhavam possivelmente prevendo um ataque desse tipo", afirmou Carrasco.

Depois, Elize arrastou o corpo até o quarto, onde ficou por cerca de dez horas. Conhecedora de anatomia, a mulher sabia que era o tempo suficiente para que adquirisse rigidez cadavérica, eliminando pouco sangue quando fosse cortado. Os cortes foram feitos em um dos banheiros dos empregados, que foram dispensados durante a noite do crime.

Segundo o delegado, falta muito pouco para concluir o inquérito policial. "Não tenho dúvida da autoria e da materialidade do crime. Só vamos agora robustecer a prova", afirmou Carrasco.

A polícia ainda vai ouvir as babás e o detetive. Nesta quarta, funcionários do condomínio também foram chamados ao DHPP.

Família. Segundo o advogado Luiz Flávio D’Urso, a família de Matsunaga está abalada. "Estão absolutamente chocados. Sofrem pela perda de um filho, por um homicídio seguido de esquartejamento. Ainda mais porque isso tem como autora a mãe do neto. É um grande desastre familiar", disse.

Perícia. Na noite desta quarta, Elize foi levada pela polícia ao local do crime, onde ocorreria a reconstituição do assassinato.

Por ser grande, a cobertura de mais de 500 metros quadrados não foi totalmente periciada na segunda-feira.

De acordo com Carrasco, a mulher do executivo será indiciada por homicídio doloso qualificado - uma das agravantes foi o fato de Elize ter ocultado o cadáver do marido depois de ter esquartejado o corpo.

Ela deverá permanecer detida no Presídio de Itapevi, na Região Metropolitana. Nesta quarta-feira, 6, foi prorrogada a prisão temporária dela por mais 15 dias.

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