Pista de skate abre na Praça Roosevelt e divide opiniões

Pista de skate abre na Praça Roosevelt e divide opiniões

Espaço de 1.152 m² tem piso especial para prática do esporte e rampas para manobras; skatistas dizem que área é pequena

Paula Felix, O Estado de S. Paulo

29 Novembro 2014 | 18h43

O “Skate Plaza”, espaço para skatistas com rampas e corrimões para manobras, foi inaugurado na manhã deste sábado, 29, na Praça Roosevelt, na Consolação, principal reduto de skatistas no centro de São Paulo. A área, que tem 1.152 metros quadrados, recebeu inicialmente 60 skatistas que se apresentaram no local.

A inclusão da área exclusiva para os praticantes do esporte foi anunciada em setembro deste ano e permite a distribuição da área da praça, que é de 18 mil metros quadrados no total, entre os frequentadores, os moradores da região e os skatistas. 

Para o primeiro dia de funcionamento, foram instaladas arquibancadas e o público viu a apresentação de 60 skatistas. Por volta das 16 horas, um grupo invadiu o espaço, mas a situação foi rapidamente controlada por seguranças e policiais militares que estavam no evento.

A nova área dividiu opiniões entre os skatistas. “É o mínimo para uma cidade como São Paulo, porque muita gente anda de skate. Achei legal”, disse o skatista Bruno Medrado, de 29 anos. Morador da Vila Prudente, na zona leste da capital, ele conta que anda de skate no local desde os anos 1990.

O técnico de instalação de câmeras Cleriston Teixeira, de 25 anos, é de Florianópolis e mora em São Paulo há quatro meses. Desde que se mudou, anda de skate todos os dias na Praça Roosevelt e não concordou com o tamanho da pista. "O espaço está muito pequeno e vai ficar sobrecarregado. Poderia ser bem maior, mas vou continuar frequentando."

A estudante Kettlyn Gabrielly de Jesus, de 17 anos, também reclamou do tamanho da área. “Vai ser bom em partes, porque teremos um espaço só nosso, mas é muito pequeno. Deveria ser maior. Vai ser proibido, mas acho que o pessoal vai continuar andando na praça."

Sócio da empresa Skatenuts, que assinou um termo de cooperação para obra e manutenção do local em parceria com a Subprefeitura da Sé, Marcus Lee diz que o objetivo do espaço é "promover o convívio pacífico entre todos os envolvidos com a praça", como os skatistas e os moradores do bairro. "A gente nunca quis limitar nem proibir. O objetivo é atrair os skatistas. É o parque de diversões deles. Pretendemos investir em outras praças no ano que vem." Segundo a Prefeitura de São Paulo, o investimento no espaço foi de R$ 100 mil e o termo de cooperação tem duração de três anos.

Queixas. Comerciantes e moradores do entorno da Praça Roosevelt veem a iniciativa com desconfiança. O comerciante Edney Ardanuy, de 40 anos, diz que é necessário que os skatistas respeitem o novo espaço. “É uma boa iniciativa, desde que eles fiquem no espaço deles. Os skatistas afastam as pessoas. A praça tem 3 anos, mas parece que tem 40, porque eles destroem tudo.”

Comerciante e integrante da Ação Local Roosevelt, Riva Oliveira, de 41 anos, acredita que os skatistas vão continuar utilizando todo o espaço da praça, apesar da proibição. "Acho que eles não vão respeitar. Gostaria muito que respeitassem, porque a praça deveria ser para todo mundo, mas, infelizmente, é só para uma parcela", afirma.

Reforma. A Praça Roosevelt foi reinaugurada em 29 de setembro de 2012, durante a gestão do ex-prefeito Gilberto Kassab (PSD), após uma obra que custou R$ 55 milhões e durou dois anos. Moradores da região são contrários à presença dos skatistas em toda a área da praça, pois afirmam que eles danificam bancos ao fazer manobras e impedem a livre circulação de frequentadores.

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