Pista de Congonhas é principal hipótese para desastre da TAM

Aeronáutica recomenda que, em época de chuva, a pista principal de Congonhas não seja mais utilizada

18 de julho de 2007 | 12h09

Um dia depois da tragédia com o vôo 3054 da TAM, o governo federal determinou que a  Polícia Federal investigue em que condições foi entregue a pista principal do Aeroporto de Congonhas, reformada recentemente. Lula quer saber se houve precipitação na entrega da pista principal do aeroporto, que passou por reformas entre maio e junho.    Veja também: Lista das 186 vítimas do acidente Opine: o que deve ser feito com Congonhas? O local do acidente Os piores desastres aéreos do BrasilConheça o Airbus A320 Galeria de fotos Assista a vídeos feitos no local do acidente Conte o que você viu e o que você sabe   Na segunda-feira, 17, um vôo da empresa Pantanal já havia derrapado na pista. Em depoimento ao estadao.com.br, o jornalista Cleidson Lima, do jornal Correio do Estado, de Mato Grosso do Sul, declarou que um vôo TAM Campo Grande-São Paulo, no qual viajava, também experimentou dificuldades para frear na pista molhada pela chuva, na mesma segunda-feira. "A impressão quando pousou, é de que ele tinha deslizado, e o piloto segurou", disse Lima.Nesta quarta-feira, o comandante da Aeronáutica, brigadeiro Juniti Saito, disse ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que um centro de investigação do órgão recomenda que, por precaução, em período de chuva e vias molhadas, a pista principal do aeroporto de Congonhas não seja mais utilizada. A pista foi reaberta em 29 de junho. O brigadeiro informou ainda que  a caixa-preta do avião  foi encaminhada para o National Transportation Safety Board, nos Estados Unidos.   Por meio de nota oficial, a Infraero, estatal que administra os aeroportos do País, informou que são "prematuras quaisquer hipóteses" sobre o acidente com avião da TAM, já considerada a maior tragédia aérea da história do País, e afirma que é necessário aguardar as "devidas investigações sobre o caso".   Chris Yates, especialista em segurança de aviação e tecnologia e editor da revista especializada Jane's Airport Review, concorda que ainda é cedo para apontar culpados para o acidente. Ele acredita, no entanto, que o mau tempo, combinado à velocidade do avião na hora do pouso, podem ter atrapalhado a tração da aeronave, que invadiu a avenida Washington Luís, ao lado da pista, e chocou-se com um depósito da empresa.   "As causas normais para um desastre como este são normalmente problemas com o avião, falha humana ou erro do aeroporto ou de controladores aéreos. Neste caso, as investigações ainda terão de esclarecer a causa, mas me parece que o mau tempo, a velocidade do avião no pouso e o fato de a pista estar em obras podem ter contribuído para o acidente", disse Yates.   A Airbus, fabricante do avião, promete investigar com seus próprios técnicos o que teria ocorrido com a aeronave. A empresa, com sede na França, porém, deixou claro que "a responsabilidade pelas investigações é do governo brasileiro." AdvertênciasAlém da PF, procuradores federais de São Paulo também devem se manifestar sobre o acidente do Airbus. As dificuldades apresentadas pela pista de Congonhas, sob chuva, já foram alvo de sucessivas advertências feitas pelo Ministério Público Federal (MPF). Em ação judicial, o MPF já pedia a suspensão de todas as operações até conclusão da reforma da pista, "que coloca em risco a vida de passageiros, tripulantes e moradores do entorno do aeroporto, em virtude de constante derrapagens causadas por um sistema de drenagem ineficiente da pista".Na noite de terça-feira, o agente de segurança de vôo do Sindicato Nacional dos Aeronautas, Carlos Camacho, atribuiu o acidente a um problema na pista - especificamente, a falta de ranhuras transversais. As ranhuras - chamadas de "grooving" e necessárias para o escoamento de água - só podem ser feitas no concreto da pista um mês depois de ela ficar pronta. Isso porque é necessário que o concreto se consolide para que as máquinas possam executar o serviço. Sem isso, a água pode empoçar na pista e causar o fenômeno da aquaplanagem.Já o especialista em segurança de vôo Roberto Peterka, funcionário aposentado do Comando da Aeronáutica, diz que  não é possível afirmar que a falta de ranhuras tenha sido a razão do acidente, mas reconhece que "a presença do 'grooving' teria ajudado a aumentar o atrito e, assim, o avião tocaria na pista e pararia mais rápido". "Isso poderia ter evitado o ocorrido, mas não podemos dizer que foi o responsável", declara. Argentina  A versão de que a falta de ranhuras causou o desastre é encampada pelo diário argentino La Nación. Uma reportagem publicada nesta quarta-feira avalia que as autoridades brasileiras podem ter autorizado a "utilização até as últimas conseqüências" da pista de Congonhas para evitar o custo político dos atrasos e do caos aéreo brasileiro. Para o La Nación, "o pior acidente na história do Brasil não é um fato isolado, mas um novo capítulo, o mais trágico, da crise".  "E o mais insólito é que a tragédia de ontem pode ter sido produzida por uma negligência fatal: a pista de aterrissagem de Congonhas não tinha as ranhuras necessárias para frear o avião em caso de chuva." O acidente aéreo com o Airbus A320 da TAM foi o que causou mais vítimas em mais de cinco anos, segundo as informações do especializado Airsafe.com. Com pelo menos 190 mortos, o incidente só não causou mais fatalidades que a queda de um avião perto da costa de Taiwan, em maio de 2002.  O avião, que caiu no mar depois de decolar de Taipei para Hong Kong, levava 206 passageiros e 19 tripulantes, e não houve notícia de sobreviventes, diz o Airsafe. O site é fundado pelo especialista americano Todd Curtis, conhecedor do setor aéreo e também do aeroporto de Congonhas.

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