Pista de avião estava em perfeitas condições, diz TAM

Segundo o presidente da aérea, falta de ranhuras na pista não afetaram a frenagem da aeronave

18 de julho de 2007 | 15h10

O presidente da companhia aérea TAM, Marco Antonio Bologna, isentou em coletiva na tarde desta quarta-feira, 18, o Aeroporto de Congonhas de culpa pelo acidente ocorrido com um avião da empresa na terça-feira, no Aeroporto de Congonhas. De acordo com ele, as causas do ocorrido ainda precisam ser investigadas.   O desastre deixou ao menos 190 mortos, entre os passageiros e tripulação que vinham de Porto Alegre, funcionários da companhia que trabalhavam em um galpão e pedestres que passavam no local.  O desastre já é considerado o maior da história da aviação brasileira.   Veja também: Lista das 186 vítimas do acidente Opine: o que deve ser feito com Congonhas? O local do acidente Os piores desastres aéreos do BrasilConheça o Airbus A320   Bologna acrescentou que é prematuro apontar Congonhas como culpado pelo ocorrido. De acordo com ele, mais de 2 mil decolagens e pousos foram feitas no aeroporto.   Sobre a aeronave, de acordo com o presidente da companhia, ela "decolou com 62,7 toneladas", peso abaixo do máximo que a pista de Congonhas suporta, que é de 64,5 toneladas.    O presidente também eximiu da culpa do acidente o fato de não haver ranhuras na pista, que evitariam a ocorrência de aquaplanagem. De acordo com ele, os aviões conseguem parar com até 3mm de água em uma pista sem ranhura. A informação obtida no momento do acidente é que havia menos de 3mm, portanto que permitiria a frenagem da aeronave.   Piloto     Ao que tudo indica, o piloto não conseguiu realizar o pouso e tentou arremeter a aeronave para fazer o pouso numa outra tentativa, mas acabou se chocando com o prédio da TAM Express.   Segundo o presidente da companhia, o piloto recebeu treinamento para realizar uma manobra de risco. "Ele tem todo um treinamento de simulador e instrução de vôo para situações de anormalidade, de decolagem, pouso e operação normal."   Indenizações   Sobre as indenizações aos parentes das vítimas, Bologna afirmou que "tudo está sendo feito dentro dos requerimentos necessários". De acordo com ele, todas os familiares das vítimas, incluindo os dos funcionários, estão cobertos e serão indenizados "da maneira mais rápida possível".   Bologna foi questionado se as indenizações irão demorar tanto para serem pagas quanto demorou as do acidente com o Fokker 100, ocorrido em 1996 e que matou 99 pessoas. O presidente da TAM, então, respondeu que, daquele período para cá, "uma série de evoluções de tratamento de risco aconteceram". "Hoje é importante dar assistência aos passageiros e funcionários, que estão sendo prestadas dentro das normas", disse.   Como exemplo dessa melhora, ele citou a rápida hospedagem dos parentes dos passageiros, dos funcionários da TAM que trabalhavam no balcão no momento do acidente e até das famílias que moram na região e que foram desalojadas por motivo de segurança.   Bologna também afirmou que uma seguradora, cujo nome não foi divulgado, cobrirá todos os danos materiais conseqüentes do acidente, entre eles "a aeronave, o terminal, e os dos passageiros e terceiros" - incluindo nesta categoria os funcionários da TAM mortos no acidente e os moradores da região. Os valores e as datas de entrega serão tratados individualmente.   O avião estava com 100% de aproveitamento de seus assentos - sem contar crianças de colo, que também viajavam, afirmou Bologna. São 174 assentos, mais os assentos para tripulantes, que são 11, e não são vendidos. Os 161 passageiros, 18 funcionários e seis tripulantes somavam, com crianças de colo, 186 vítimas.   Lista   Sobre falta de manifestação da TAM e demora na lista de passageiros, Bologna afirmou que há um regulamento do comando da Força Aérea Brasileira (FAB) que exige que os nomes dos passageiros têm de ser divulgados primeiro aos familiares e depois para a imprensa. "No momento em que todos os familiares sabiam do acidente, a lista foi divulgada."   Aeronave   Segundo o presidente da TAM, não havia registro anterior de problemas na aeronave, de acordo com registro do livro de ocorrências assinado pelo próprio comandante. O avião já havia feito 26.320 horas de vôo, fez a última revisão simples no dia 13 de julho, e a última revisão grande estrutural em novembro.   "O comandante da nave é obrigado a reportar todas as panes, fica uma cópia em manutenção, uma com o mecânico e outra com o comandante. Não havia registro de pane na aeronave", afirmou Bologna.   Ele disse também que sua empresa ainda não teve leitura dos dados de vôo. De acordo com ele, as aeronaves da companhia utilizam um sistema de monitoramente e auditoria de vôos chamado Foca.   Esse sistema é usado em caráter preventivo, para a empresa controlar o vôo. Todos os documentos registrados pelo Foca foram enviados direto para a aeronáutica, sem que a empresa "tivesse acesso a eles".     Soluções   Bologna também ressaltou na coletiva a necessidade da criação de uma nova pista no Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos. "O Aeroporto de Guarulhos já devia ter uma terceira pista, portanto a gente está atrasado", disse, referindo-se à demora nas melhorias do aeroporto internacional.    Outra maneira de diminuir o "congestionamento" aéreo seria a utilização do Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas, como alternativa para receber a demanda de passageiros no Estado.  "Fazendo uma projeção de mais longo prazo, deveriam pensar no aeroporto de Viracopos como alternativa e mais um terminal para daqui a 5 anos."   Embora Viracopos não seja a alternativa oficial das companhias, com todo o caos aéreo causado pelos apagões que desde o fim do ano passado ocorrem, Campinas tem sido o plano B quando a situação complica na capital paulista.

Mais conteúdo sobre:
Vôo 3054

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.