Epitácio Pessoa/AE
Epitácio Pessoa/AE

Piquenique na rua cobra criação de parque na Augusta

Como parte da Virada Sustentável, associações ocuparam o asfalto para pedir que Prefeitura transforme terreno em área de lazer

MONIQUE ABRANTES, O Estado de S.Paulo

04 de junho de 2012 | 03h32

O asfalto da Rua Augusta, entre a Ruas Caio Prado e Marquês de Paranaguá, na região central da capital paulista, cedeu o espaço que normalmente é ocupado pelos carros para um piquenique na tarde de ontem. Integrantes de duas associações aproveitaram a 2.ª Virada Sustentável para cobrar, mais uma vez, que a Prefeitura transforme um terreno de 26 mil metros quadrados naquela parte da Consolação em um parque público.

Cerca de 80 pessoas participaram do evento organizado pela Sociedade dos Amigos, Moradores e Empreendedores do bairro de Cerqueira César (Samorcc) e o Comitê Aliados do Parque Augusta, que também comemorou antecipadamente o Dia do Meio Ambiente, celebrado amanhã.

Além da manifestação, o organizador do evento, Sérgio Carrera, explica que o piquenique no asfalto chama a atenção para a raridade de áreas verdes na capital e a falta de contato entre as pessoas. "Somos prisioneiros dentro das nossas casas." Ele conta que a temática da moda antiga foi escolhida como forma de valorizar a cultura e a história paulistanas. Música de violinos e um realejo também fizeram parte das atividades.

A integrante do Conselho Curador da Virada Sustentável, Janine Saponara diz que a intenção do piquenique é aproximar as pessoas do tema sustentabilidade. "O cidadão precisa ver a sustentabilidade como algo bonito. A ideia é se manifestar em prol do ambiente de uma forma pacífica."

Parque. O terreno - que já abrigou um colégio feminino e hoje é usado como estacionamento - tem araucárias centenárias. O Córrego Saracura e adutoras da Sabesp estão em seu subsolo.

Vestida como as mulheres da década de 1950, a designer gráfica Tatiana Bianconcini reclama que, além do parque, nenhum projeto estudado para o local preserva a natureza. "Querem construir um espigão de concreto, edifícios. Mas não é disso que estamos precisando aqui."

A advogada Célia Marcondes, moradora dos Jardins e fundadora da Samorcc, questiona a morosidade do Legislativo municipal para votar o Projeto de Lei 345-6/06, que criaria o parque. "O projeto já foi aprovado na primeira votação no ano passado. Até agora não sei por que não houve o segundo debate."

Célia reconhece que, da mesma forma que a área verde deve ser de utilidade da população, a Prefeitura deve ressarcir o proprietário do terreno para esse uso. "A nossa ideia não é prejudicar ninguém. Queremos que o proprietário receba pelo terreno. Da mesma forma que não é justo ele sair no prejuízo, nós não podemos ficar sem a área", disse.

A fundadora do Samorcc conta que a criação do parque tem o apoio de muitas pessoas de fora do bairro e da cidade. "Recebemos e-mails de diversas regiões do País apoiando a nossa causa."

Moradora da Rua Augusta, a arte-educadora Eneila Almeida dos Santos trocou o Amazonas por São Paulo há 23 anos. Mãe de dois filhos, Nauê, de 10 anos, e Cauã, de 12, ela diz que sente falta de espaços verdes. "Procuro levá-los aos parques para que eles não percam as raízes amazônicas. Seria muito bom ter um parque por aqui."

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