Pipa com cerol rende multa de até 20 salários

Pais terão de arcar com valor e filhos reincidentes podem até ser internados na Fundação Casa; ação em Marília resulta de convênio entre polícia e MP

Sandro Villar, especial para o Estado, de Presidente Prudente, O Estado de S.Paulo

26 de julho de 2010 | 00h00

A partir de hoje, os garotos de Marília (SP) que empinam pipas com cerol precisam ficar atentos. Os acessórios com esse material, usado para cortar a linha de outras pipas, serão apreendidos pela PM, que também ficará responsável por autuar infratores. As multas serão encaminhadas para os pais e vão variar de 1 a 20 salários mínimos. E dobram de valor se houver reincidência.

A finalidade é evitar acidentes envolvendo motociclistas e as próprias crianças que usam cerol. Se o menino for reincidente, ainda corre o risco de ser internado numa das unidades da Fundação Casa. A internação é tida como certa, caso se comprove que os pais sabiam que o filho usava material cortante, de acordo com determinação expressa do Ministério Público Estadual (MPE).

Na terça-feira passada, o MPE fez uma parceria com a Polícia Militar para apreender as pipas irregulares. "A Polícia Militar fará a apreensão e o boletim de ocorrência. Todo o material que for recolhido será encaminhado para a Promotoria da Infância e Juventude, juntamente com o boletim de ocorrência", afirma o sargento da PM Arnaldo Rogério dos Santos.

Os pais ou os responsáveis serão convocados pelo Ministério Público para dar esclarecimentos. "Serão orientados e tomarão conhecimento das medidas cabíveis, incluindo a multa", avisa o sargento.

Diariamente, a Polícia Militar recebe reclamações sobre menores de idade que soltam pipas com cerol, principalmente na periferia de Marília. "São várias solicitações pedindo providências, informando que os garotos usam cerol", comenta Santos, lembrando que mesmo as pipas sem material cortante serão apreendidas, desde que sejam empinadas perto de rodovias, ruas movimentadas e da rede elétrica. "Mesmo sem cerol podem ser perigosas", observa.

Cortes. Ainda não existe um levantamento sobre o número de vítimas na cidade. "Não temos números, mas com certeza já houve pessoas com o pescoço cortado", afirma o policial.

Há quem já tenha passado por dificuldades nas ruas. "O cerol enroscou no capacete", afirma o mototaxista Laurindo Alves de Oliveira. Ele teve sorte, pois apenas cortou os dedos ao retirar a linha do capacete.

Apesar do fim das férias escolares de julho, a campanha será intensificada em agosto. É que nesse mês os ventos são mais intensos na região de Marília e, por isso, a garotada aproveita para empinar mais pipas, conforme a análise do Ministério Público.

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