Pioneiro do samba, seu Nenê da Vila Matilde morre aos 89

Integrou geração que transformou blocos em escolas e fundou a sua, com seu nome

Candinho Neto, Luiz Guilherme Gerbelli, O Estado de S.Paulo

05 de outubro de 2010 | 00h00

O fundador da escola de samba Nenê de Vila Matilde, Alberto Alves da Silva, o seu Nenê, morreu na madrugada de ontem de insuficiência respiratória. Ele tinha 89 anos e foi internado na quinta-feira no Hospital do Tatuapé, zona leste de São Paulo, após uma consulta de rotina por causa de uma forte gripe.

O sambista foi velado na quadra da escola, também na zona leste, e será enterrado hoje no Cemitério Quarta Parada. O cortejo com o corpo deve seguir para o cemitério a partir das 10h.

"Meu pai havia muito tempo tinha problemas de saúde, como diabete e câncer de próstata", disse o filho mais velho do sambista, Alberto Alves da Silva Filho, o Betinho, de 53 anos.

Apesar da saúde frágil, os integrantes da agremiação foram pegos de surpresa. Segundo a diretora de Carnaval da Nenê de Vila Matilde, Edléia dos Santos, a morte do fundador "deixou todos sem chão". "Nós perdemos o nosso patrimônio. Ele é a preservação do samba. Todo o Brasil perde com a morte do seu Nenê", disse.

Seu Nenê fundou a escola em 1949 e a presidiu por 47 anos. Em 1996, passou a faixa para Betinho. Atualmente, a escola é dirigida por Rinaldo José Andrada. "Quando percebemos, estávamos havia muito tempo no poder", afirma o filho de Nenê.

O maior feito do carnavalesco Nenê de Vila Matilde foi ter feito parte da geração que transformou os antigos blocos em escolas de samba profissionais, como as que já existiam no Rio. "No início, a estrutura era de cordão, mas foi o seu Nenê o precursor do samba carioca", afirmou o sambista Osvaldinho da Cuíca.

Nascido em Santos Dumont, no interior de Minas Gerais, Nenê, chegou a São Paulo ainda criança, acompanhando os pais.

Metalúrgico por 27 anos, sempre gostou de música e chegou a tocar em orquestra. Começou a fazer samba no Largo do Peixe, na Vila Matilde, com o irmão Benedito e os amigos Julião Álvaro Rosa e Antônio Alves de Almeida. Foi esse grupo que trabalhou para o nascimento da escola, que voltou para o Grupo Especial neste ano, após um ano no Grupo de Acesso.

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