Pintora reage a assalto no Brooklin e é assassinada

Mulher de 62 anos foi abordada na garagem de casa, ao abrir o portão, e lutou com bandido, que queria celular

WILLIAM CARDOSO, O Estado de S.Paulo

06 Dezembro 2011 | 03h03

A artista plástica Norma Lúcia Costa Henriques, de 62 anos, foi assassinada anteontem à noite na frente de sua casa, na Rua Guaraiúva, no Brooklin, zona sul. Os bandidos fugiram sem levar nada da vítima, que reagiu. Vizinhos reclamam da violência.

Norma chegava em casa com seu Escort. Ela abriu o portão da garagem e, quando voltava para o carro, foi abordada por um dos bandidos. O criminoso teria tentado tomar o celular de Norma, que resistiu e lutou com o ladrão. O crime aconteceu às 23h26, horário registrado por câmeras do circuito de vigilância de um local próximo. O intervalo entre a chegada dos bandidos e a fuga durou cerca de um minuto e meio.

Pouco nítidas, as imagens não chegam a mostrar a abordagem, mas ficou gravada a fuga dos ladrões e a queda da artista plástica no chão. Os criminosos usavam um sedã escuro.

Logo após a fuga, vizinhos socorreram Norma. "A bala entrou pelo lado direito das costas e atravessou o coração. Mesmo que sobrevivesse, ela ficaria com sequelas", afirmou um vizinho que preferiu não se identificar. Os bandidos teriam deixado para trás o celular da vítima.

A artista plástica foi levada para o Hospital Santa Paula, onde morreu. Até a tarde de ontem, amigos aguardavam a liberação do corpo para definir horário e local de enterro.

Filha única, Norma era solteira e vivia com a mãe, de 85 anos, e um homem, inquilino das duas. "Ela era uma pessoa muito alegre. A mãe dela está muito abalada", diz a advogada Evanise Costa, amiga da vítima.

Violência. O assassinato da artista plástica é mais um capítulo violento da Rua Guaraiúva. Vizinhos contam pelo menos cinco assaltos nas redondezas nos últimos meses. Em um dos casos, uma estudante voltava da faculdade quando foi abordada por criminosos.

O medo também tomou conta da costureira e professora aposentada Dilza Alencar, de 72 anos. "Depois das 18h, só a abro a porta para conhecidos. Caso contrário, nem saio na calçada."

A PM diz que realizava atividades preventivas no bairro e que o policiamento já foi reforçado. No DP da área, o 96.º, foram registrados 1.239 roubos até outubro, segundo a Secretaria da Segurança.

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