PM encontra 3 corpos em casa de pintor suspeito de homicídio

Caso aconteceu na zona sul de São Paulo e polícia investiga ligação entre mortes; vizinhos acreditam que homem seja "serial killer"

Juliana Diógenes, O Estado de S. Paulo

27 de setembro de 2015 | 19h42

SÃO PAULO - Um homem foi preso na sexta-feira, 25, acusado de ter matado um jovem de 21 anos no bairro do Jabaquara, zona sul de São Paulo. O pintor Jorge Luiz Morais de Oliveira, de 41 anos, teve a prisão temporária decretada pela Justiça. O corpo de Carlos Neto Alves de Matos Júnior estava enterrado em um dos cômodos da residência do pintor, na Rua Professor Emydio de Fonseca Telles, e foi encontrado por policiais militares. Oliveira confessou o crime, que ocorreu na noite de quarta-feira, 23. O pintor responderá por homicídio doloso.

Na casa, havia manchas de sangue, além de uma faca e um soco inglês. No local, foram encontrados ainda três cadáveres e ossadas de um corpo humano. Os policiais foram informados do ocorrido por meio do Centro de Operações da Polícia Militar (COPOM) e, no local, localizaram o corpo enterrado. A mãe do acusado informou aos policiais ter visto o filho e o jovem entrarem juntos no imóvel na noite de quarta-feira. Segundo ela, por morar na frente da casa do filho, ouviu alguns barulhos. 

Na manhã de quinta-feira, Oliveira saiu da residência e não voltou mais. A pedido dos policiais, a mãe e a irmã do acusado ligaram para ele a fim de saber o que tinha acontecido. O pintor confessou ser responsável pela morte do jovem e se entregou à polícia.

Por estar com ferimentos no braço e na perna direita, antes de ser levado à delegacia, ele foi encaminhado ao hospital São Paulo, na zona sul, onde foi medicado e liberado. Em depoimento, Oliveira disse que o jovem havia entrado na sua casa com uma faca na mão e em companhia de outro homem. Segundo o boletim de ocorrência, o pintor informou que os dois começaram a discutir e Júnior o esfaqueou no braço. Oliveira teria então conseguodo tomar a faca do jovem e começou a golpeá-lo. Ainda de acordo com o acusado, o comparsa fugiu no momento em que teve início a briga.

Ao perceber que a vítima estava morta, o pintor disse que se desesperou, decidiu enterrar o corpo e fugir. Foi solicitada a perícia na residência do acusado e a polícia descobriu as ossadas de um corpo humano, além de três cadáveres. A polícia solicitou ainda os exames ao Instituto Médico Legal (IML). Todo o material encontrado na residência do pintor foi apreendido. O caso foi registrado no. 35° Distrito Policial (Jabaquara) e as informações complementares foram colhidas no 16°DP (Vila Clementino). Ao todo, foram quatro B.O.s.

Vizinhança. Segundo os vizinhos, que não quiseram se identificar, Júnior morava na região, era surdo mudo e homossexual.Na vizinhança, Jorge já passou a ser considerado um "serial killer homofóbico". A polícia não confirma se  essa hipótese está sendo investigada. 

Os moradores da região desconfiam de motivação homofóbica porque o pintor não disfarçava a raiva que sentia por homossexuais. "Ele vivia falando de gays, que não gostava de gays, que odiava. Mas ele conversava com todo mundo, brincava. Não parecia ser esse monstro que é", disse uma vizinha. 

"Ele matou a Paloma, que era sapatona, a Carioca, também sapatona, e agora o Mudinho (Júnior), que era gay", afirmou outra vizinha. Segundo ela, as vítimas Paloma e 'Carioca' também são conhecidas da região e estavam desaparecidas há pelo menos sete meses.

Uma moradora contou que na quinta-feira passada, manhã seguinte ao crime, cruzou com Jorge na rua e ele estava mancando. Ao perguntar por que mancava, o pintor teria levado o dedo indicador à boca, pedindo que ela ficasse quieta. Os vizinhos relataram ainda que a família do pintor, que residia no mesmo terreno, mas em casas diferentes, precisou sair de casa escoltada pela polícia, pois os moradores acusaram a mãe de ser cúmplice dos crimes.


Tudo o que sabemos sobre:
Violência

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.