Pinheiros vai ter 1º semáforo antiapagão

Bateria garante funcionamento mesmo após queda de energia durante temporais

CAIO DO VALLE, JORNAL DA TARDE, O Estado de S.Paulo

10 de fevereiro de 2012 | 03h04

São Paulo vai ganhar um sistema antiapagão de semáforos. O primeiro no-break - conjunto de baterias que mantém luzes acesas no caso de falta de energia - começa a ser instalado na próxima semana no cruzamento das Ruas Inácio Pereira da Rocha e Simão Álvares, em Pinheiros, zona oeste da capital. A meta da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) é colocar o aparelho em operação em poucos dias.

No total, 200 cruzamentos receberão os equipamentos até o fim de junho. Serão contempladas vias como as Ruas Augusta e Bela Cintra, na região central, e as Avenidas Indianópolis e República do Líbano, na zona sul. A Rua Cardeal Arcoverde, na zona oeste, e a Avenida Celso Garcia, na leste, também estão na lista. Os no-breaks serão úteis especialmente em dias de chuva e vendaval, quando são comuns as quedas de energia.

Em meses chuvosos, é registrada por dia uma média de 130 ocorrências de semáforos quebrados, que deixam o trânsito ainda mais complicado. No tempo seco, esse número cai para 65.

O diretor de Sinalização da CET, Valter Vendramin, explica que os no-breaks têm baterias que são constantemente carregadas pela rede da Eletropaulo. "Quando há um corte por algum problema, eles imediatamente entram em funcionamento, mantendo os semáforos."

Com isso, os equipamentos evitam, além do desligamento completo dos faróis, o modo amarelo piscante, fase anterior ao conserto do equipamento.

Os aparatos serão instalados no alto do suporte dos semáforos, a uma altura de cerca de 6 metros do chão, em caixas de cor cinza. A escolha desse local foi para dificultar tentativas de furto das baterias. A empresa vencedora da licitação lançada no fim de 2011 pela Prefeitura para a compra do material é a Serttel. Ela terá de fazer a montagem dos equipamentos e mantê-los por 12 meses. O valor do contrato é de R$ 1,8 milhão.

Ampliação. O consultor de tráfego Horácio Augusto Figueira, mestre em Engenharia pela Universidade de São Paulo (USP), elogiou a medida da CET, mas cobra no-breaks em mais pontos da cidade.

A capital tem 6.146 cruzamentos com semáforos, dos quais só 3,2% serão beneficiados. "É bom expandir. Se cada um dos 96 distritos da cidade tiver uma média de 20 cruzamentos importantes, são quase 2 mil cruzamentos que deveriam ter no-break."

Dúvidas. Segundo Figueira, os pontos da cidade que não dispuserem do equipamento deveriam ter um esquema emergencial de operação e fiscalização durante chuvas para evitar impacto no trânsito. Ele questiona se quatro horas de back-up elétrico é tempo suficiente em dias de chuva constante para garantir a fluidez do trânsito.

Vendramin, da CET, diz que sim. "Normalmente, num período bem menor que isso, a concessionária já retoma o fornecimento. Em média, o máximo que está levando é uma hora e pouco."

A CET informa que o projeto é piloto e os 200 primeiros pontos foram escolhidos por provocar mais danos em caso de falta de energia. O órgão informou que semáforos de pedestres também serão beneficiados.

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